O motorista suspeito de atropelar e matar a pequena Yohana Pereira, de 5 anos, na Rodovia da Uva, em Colombo, Região Metropolitana de Curitiba, no dia 2 de janeiro, diz que entende a dor da família, mas tem convicção que foi uma fatalidade.

“É muito difícil conviver com isso e vai ficar para o resto da minha vida. Não está sendo fácil, me abalou e abalou minha família (…) Sei que toda pessoa fica indignada, tenho um filho de um ano e dói muito, mas foi uma fatalidade”, afirmou Luiz Henrique dos Santos, de 28 anos, em entrevista á banda B nesta terça-feira (12).

Yohana morreu no atropelamento – Reprodução

Ele se apresentou à polícia seis dias após o atropelamento, prestou depoimento acompanhado de um advogado e foi liberado para responder ao processo em liberdade. Sobre a demora em se apresentar, Santos diz que ficou com muito medo após ameças de morte que recebeu.

“Eu entrei em contato com meu advogado no domingo e ia me apresentar na segunda-feira, mas daí vi um monte de reportagem me criticando e recebi até ameças de morte. Por isso não me apresentei já na segunda-feira”, afirmou.

O caso aconteceu na noite de sábado (2). A menina Yohana Pereira, de cinco anos, estava com a mãe e dois irmãos. A família tentava atravessar em um trecho da Rodovia da Uva, quando o carro atropelou a menina.

Santos não ficou no local para prestar socorro e disse que se apavorou. “Tinha passado o dia na casa de meus sogros e estava com minha mulher e meu filho no carro. Quando aconteceu, minha mulher começou a gritar, meu filho chorar… fui levá-los até a casa de meus familiares e ia voltar pro local do acidente, mas meus parentes não deixaram pois estava muito abalado”, contou.

O carro na oficina

Luiz Henrique Santos garante que foi ele que levou a polícia até uma oficina onde o carro estava para ser consertado. Ele não falou sobre o motivo de ter levado o carro para consertar antes de se entregá-lo à polícia.

“Fui eu que apresentei este carro à polícia, disse onde estava e fui em outro veículo até esta oficina mostrá-lo, por vontade própria. Estava no latoeiro para arrumar as partes amassadas”, pontuou.

O momento do atropelamento

A criança foi arremessada com o impacto da batida. Testemunhas afirmaram que o suspeito furou o sinal vermelho, porém, Santos diz que seguia pela rodovia asse que tudo foi rápido e estava no máximo a 70 km/h.

“Estava vindo na pista da esquerda quando vi dois adultos na mureta. Quando cheguei perto, a criança correu na minha frente. Tentei desviar, mas foi muito rápido. Não deu tempo pra nada (…) Meu carro é rebaixado e eu estava a uns 70 km/h. Carro rebaixado não tem como correr a 140 km/h como estão falando”.

Imagens de câmeras de segurança mostram o carro de Luiz passando pela Rodovia da Uva logo depois do atropelamento. Segundo a polícia, ele estava em alta velocidade.

Em um outro vídeo, gravado na rua onde mora o motorista, as imagens mostram o carro com a frente danificada por causa do impacto da batida.

“Falaram que eu estava com o farol apagado, mas imagens de câmeras de segurança depois do acidente, mostram como o farol aceso… Sei que tenho minha parte de culpa, mas havia um semáforo à frente, com faixa de pedestre. cada um tem sua parcela de culpa”, finalizou.

Outro lado

Em entrevista à Banda B no dia 7 de janeiro, o advogado que representa a família de Yohana, Raphael Nacimento, afirmou acreditar que acredita que o enrosco do carrinho evitou com que outras quatro pessoas morressem no local.

“É importante dizer que em hora nenhuma a Yohana soltou a mão da mãe ou da prima e saiu na frente delas. Quando a criança foi atropelada, estava um passinho na frente e isso foi declarado em depoimento. Eu concluo que se esse carrinho não tivesse dobrado, o motorista teria atropelado toda a família, causando uma tragédia ainda maior. Por isso mesmo que a família sempre diz: foi um anjinho que marcou esse acontecimento”, disse Nacimento.

Para Nacimento, o motorista precisa responder por homicídio com dolo eventual, o que levaria o caso para o Tribunal do Júri de Colombo. “Nós não podemos desprezar que o motorista estava em altíssima velocidade, com uma média que pode chegar aos 120 ou 130 km/h, isso além dele ter furado o sinal e estar de luz apagada. Não se trata de um homicídio culposo de trânsito, mas sim doloso com dolo eventual”, disse no momento em que Santos ainda não havia se apresentado à polícia.