O Ministério Público do Paraná (MP-PR) denunciou o motorista Everaldo Lima Lins por homicídio com dolo eventual e omissão de socorro pela morte do idoso João Ksiozek Filho, de 69 anos. O idoso foi atropelado na calçada no dia 11 de março de 2025, no bairro Santa Quitéria, em Curitiba.

O atropelamento aconteceu em plena luz do dia, na Rua Rezala Simão. Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que o condutor de um Fiat Cronos perde o controle ao acessar a via e atinge o idoso, que caminhava pela calçada. A vítima foi socorrida em estado grave ao Hospital do Trabalhador, mas não resistiu.
De acordo com a denúncia, o motorista não apenas assumiu o risco de matar ao dirigir sob efeito de álcool e em condições adversas, como também deixou de prestar assistência à vítima após o impacto.
O documento, inclusive, é contundente ao detalhar o comportamento após o atropelamento:
“Nas mesmas condições de local, logo após os fatos narrados acima, o denunciado EVERALDO LIMA LINS, podendo fazê-lo, deixou de prestar/providenciar imediato socorro à vítima João Ksiozek Filho, quando lhe era possível fazê-lo sem risco pessoal, nem solicitou auxílio da autoridade pública para que o fizesse, tendo permanecido, em um primeiro momento, no interior do veículo e, em seguida, tentado acionar o acelerador para se evadir, apenas não logrando êxito pelo fato de populares terem o obrigado a desligar o carro e terem retirado as chaves da ignição”
diz a denúncia do MP-PR.

Morte de idoso atropelado na calçada rendeu denúncia de homicídio com dolo eventual
A acusação enquadra o motorista em um caso de homicídio com dolo eventual (quando o autor assume o risco de causar a morte), com agravante por se tratar de vítima idosa.
Além disso, o Ministério Público também aponta o crime de omissão de socorro, já que o motorista não prestou ajuda mesmo tendo condições de fazê-lo.
Agora, além de responsabilizar criminalmente o motorista, porém, o Ministério Público pede que a Justiça fixe um valor mínimo de indenização pelos danos causados, destinado à família da vítima.
O acidente foi registrado por uma câmera de segurança. Reveja o vídeo:
Defesa diz que não foi acidente
A defesa dos familiares de João contesta que o caso nunca foi um simples acidente. Em nota, inclusive, o advogado Leonardo Mestre Negri destaca a gravidade da conduta.
“A denúncia oferecida pelo Ministério Público marca um avanço relevante, mas é também resultado de um longo caminho percorrido pela família desde o primeiro momento, insistindo naquilo que muitos, inicialmente, resistiram em reconhecer: não se tratou de um simples acidente. A morte de João Ksiozek Filho foi consequência de uma conduta consciente, marcada por escolhas incompatíveis com a preservação da vida, e que assumiu, sim, o risco de produzir o resultado fatal”.
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A nota reforça, contudo, o apelo por justiça e mudança de entendimento em casos semelhantes.
“É preciso dizer com clareza: não foi fatalidade, não foi imprevisível, não foi inevitável. Foi uma sequência de decisões que colocaram vidas em risco e que culminaram em uma perda irreparável”.
Próximos passos
Com a denúncia enfim formalizada, os próximos passos agora dependem da Justiça. O caso segue para análise.
A Banda B tenta contato com a defesa de Everaldo. A reportagem será atualizada assim que houver retorno.
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