O Tribunal do Júri de Curitiba condenou o motorista de aplicativo Romeu Francisco dos Santos Júnior pelo assassinato da cabeleireira Sibele Staroi, de 33 anos. De acordo com informações divulgadas pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR), nesta terça-feira (4), Romeu foi condenado por feminicídio e recebeu uma pena de 20 anos e 6 meses de prisão.

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Segundo o MP-PR, o caso foi o primeiro em que a condenação foi caracterizada como feminicídio cometido por menosprezo à condição de mulher, diferentemente de todos os feminicídios já julgados pelo Tribunal do Júri de Curitiba, sempre ligados a violência doméstica.

Na ocasião, Romeu confessou o crime. À Delegacia de São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, ele afirmou que estava sob efeito de cocaína e que a vítima teria rido dele durante uma relação sexual, no dia 15 de junho de 2017.

Segundo as investigações, após deixar uma casa noturna no bairro Bacacheri, com sinais de embriaguez, a cabeleireira foi levada para casa, no Barreirinha, por um amigo. A mulher, no entanto, não quis ficar em casa e saiu andando sozinha e descalça pela rua. Durante o trajeto, a vítima acabou abordada pelo motorista e entrou no veículo. O crime teria ocorrido em um drive-in do bairro Boqueirão.

A sentença sustentou que, “conforme o conjunto probatório já referido, há indicativos de que o crime esteja relacionado com o menosprezo à condição de mulher da vítima, que, em tese, foi morta porque o réu se sentiu desafiado sobre sua masculinidade, quando teve ironizada a situação de impotência sexual na qual se encontrava”.

Desde que o feminicídio foi incluído no Código Penal como qualificadora do homicídio, em março de 2015, todos os réus acusados de feminicídio julgados pelo Tribunal do Júri de Curitiba foram considerados culpados.