O motorista do aplicativo 99, Rafael Antonicomi da Silva, se manifestou na manhã desta segunda-feira (10), por meio de nota de seu advogado, Igor José Ogar, alegando que o atropelamento do passageiro Jean Ricardo Martins Cavalli, de 29 anos, ocorrido na madrugada do último domingo (9), em Curitiba, ocorreu de forma acidental. A defesa informa ainda que a versão dada pela família de Jean, que está internado na UTI, em coma, não foi a que teria ocorrido, de fato. O caso veio à tona após reportagem publicada pelo Portal Banda B neste domingo.
Jean Cavalli em foto cedida pela famíliaA família de Jean acusa Silva de ter atropelado o rapaz após uma discussão, que começou dentro do carro. Segundo a família, o jovem estava embriagado e vomitou no carro do aplicativo. A esposa diz que o motorista falou que teriam que pagar R$ 200,00 pela limpeza, o que, segundo ela, foi feito. Ao deixar os dois, o motorista teria arrancado com o carro com a esposa de Jean ainda descendo do veículo. Foi então que ele chutou o carro e, em seguida, foi atropelado por Silva.
A defesa de Silva diz os fatos não aconteceram da maneira que foi relatado esposa de Jean Ricardo, de que o sr. Rafael Antonicomi teria conduzido seu veículo dolosamente com o propósito de atropelar o sr. Jean Ricardo.
“Primeiramente, importante salientar que, antes da acidental colisão e ainda dentro do veículo, o sr. Jean Ricardo agrediu injustamente o sr. Rafael Antonicomi e, ao sair do veículo, o sr. Jean Ricardo ainda danificou o seu veículo com um chute, danificando seu instrumento de trabalho, e se evadiu do local; e após essas sucessivas agressões, contra sua pessoa e contra seu patrimônio, e tendo em vista a evasão do sr. Jean Ricardo, o sr. Rafael Antonicomi manobrou o seu veículo com a finalidade de acompanhá-lo, evitando sua fuga, momento em que, infelizmente, ocorreu a colisão acidental”, diz um trecho da nota. (leia a nota na íntegra no final da reportagem)
A denúncia
Jean Ricardo Martins Cavalli foi socorrido ao Hospital Evangélico em estado grave, onde permanece internado, em coma, na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), após ser atropelado por Silva na madrugada de domingo.
A irmã do rapaz, Karin Martins Cavalli, contou à Banda B que a situação teve início quando Jean e a esposa saíram de um show na sede social do Paraná Clube, na Avenida Presidente Kennedy. “Lá, eles resolveram pedir carona pelo aplicativo até em casa. Durante o trajeto, o meu irmão vomitou no veículo, porque estava embriagado. Nisso, o motorista pediu R$ 200 para que ele pagasse a limpeza, mas Jean não concordou, e os dois começaram a discutir”, relatou.
A vítima permanece internada no Hospital Evangélico. (Foto: Arquivo pessoal)De acordo com ela, por causa do bate-boca, o condutor teria mudado a rota, momento em que a esposa do rapaz pediu para que ele não fizesse isso e levasse os dois para casa. “A minha cunhada falava para ele seguir o caminho certo, porque ela estava com medo e não queria confusão. Ele aceitou e foi até a residência, que fica na Rua Antônio Escorsin, no bairro São Braz”, completou Karin.
O carro parou na frente da casa e Jean desceu. Segundo a irmã, no entanto, o motorista arrancou o veículo com a esposa do rapaz ainda dentro. “A minha cunhada reclamou mais uma vez, pediu para que o cara parasse o automóvel, o que ele fez uma quadra para frente. Assim que ela saiu, o Jean foi correndo e chutou o carro”.
A denúncia dá conta de que, nesse momento, o motorista deu a volta e atropelou Jean de propósito. Ele fugiu logo depois da colisão. “Nós não conseguimos entender por que ele fez isso. A esposa do meu irmão pagou os R$ 200 que o cara tinha pedido para a limpeza do carro. Ela pagou, não tinha motivo para isso. Agora nós estamos desesperados, porque o Jean sofreu traumatismo craniano e está em coma, entre a vida e a morte”, lamentou.
“Queremos justiça”
Karin disse que agora a família pretende processar o motorista. “Nós também entramos em contato com o pessoal do 99, eles nos informaram que vão tomar todas as medidas cabíveis. Vamos aguardar, até porque eles sabem a identidade e o carro do rapaz, já que tudo fica registrado no próprio aplicativo”.
A esposa de Jean, que preferiu não se identificar, também está revoltada com a situação. “A corrida deu R$ 39 e nós pagamos R$ 200, pela viagem e pela limpeza. Mesmo assim, esse homem voltou e atropelou o meu marido. O Jean está em coma, sedado e eu quero que alguém faça alguma coisa, que tome alguma providência”, desabafou.
A família registrou um Boletim de Ocorrência contra o motorista do aplicativo na manhã deste domingo (9) por lesão corporal. O caso deve ser investigado pela Polícia Civil.
Nota da empresa 99
Sobre a denúncia, a Banda B entrou em contato com a assessoria da empresa 99 em Curitiba e recebeu a seguinte nota oficial:
“A 99 está apurando a ocorrência para tomar as providências cabíveis, porém não recebeu informações sobre a corrida em que o incidente teria acontecido. A empresa lamenta o caso e se encontra aberta a colaborar com as autoridades, caso necessário”.
Leia a nota na íntegra enviada pela defesa de Silva:
“O Dr. Igor José Ogar, advogado do sr. Rafael Antonicomi da Silva, vem, por meio desta nota à imprensa e em resposta aos principais meios de comunicação do país que os abordaram solicitando esclarecimentos a respeito do fato envolvendo o sr. Jean Ricardo Martins Cavalli, ocorridos na madrugada do dia 09 de dezembro de 2018 em Curitiba/PR, esclarecer que:
Os fatos não aconteceram da maneira que foi relatado esposa do sr. Jean Ricardo, de que o sr. Rafael Antonicomi teria conduzido seu veículo dolosamente com o propósito de atropelar o sr. Jean Ricardo;
Primeiramente, importante salientar que, antes da acidental colisão e ainda dentro do veículo, o sr. Jean Ricardo agrediu injustamente o sr. Rafael Antonicomi e, ao sair do veículo, o sr. Jean Ricardo ainda danificou o seu veículo com um chute, danificando seu instrumento de trabalho, e se evadiu do local; e
Após essas sucessivas agressões, contra sua pessoa e contra seu patrimônio, e tendo em vista a evasão do sr. Jean Ricardo, o sr. Rafal Antonicomi manobrou o seu veículo com a finalidade de acompanhá-lo, evitando sua fuga, momento em que, infelizmente, ocorreu a colisão acidental.
O Dr. Igor José Ogar informa, ainda, que todos os fatos serão devidamente esclarecidos, de modo a ficar incontestável que os fatos aconteceram tal como o que foi exposto, e que está disponível para prestar mais esclarecimentos aos meios de comunicação, principalmente por meio de entrevista“, diz a nota de Igor José Ogar.