(Foto: Arquivo Banda B)

As duas mortes nas últimas 24 horas na Vila Corbélia, na Cidade Industrial de Curitiba (CIC), após o assassinato contra o policial militar Erick Norio, do 23° Batalhão da Polícia Militar, podem ter sido uma queima de arquivo. Os dois jovens assassinatos podem ter relação com o crime contra o soldado Norio, executado com tiros de metralhadora ao ir verificar uma denúncia de perturbação de sossego, na madrugada de sexta-feira (7). A informação foi dada em entrevista coletiva na manhã deste sábado (8).

(Foto: Reprodução)

O delegado Omar Feijó, da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), explicou que logo após o crime foram encontradas munições e uma identidade, em uma casa perto de onde o soldado foi assassinado. “Na data do fato, eu estava de plantão e fomos até o local. Na sequência, recebemos denúncias anônimas sobre o autor do crime, que seria o dono deste documento, e comparsas dele”, disse.

A primeira vítima, encontrada pela manhã, teria participado do crime contra o policial e por isso sido assassinada. “Informações que nos chegaram é que ele teria sido morto por companheiros no mundo do crime, para que não indicasse outros envolvidos. Ainda há um terceiro elemento, um adolescente, que pode ter participado do crime, que foi encontrado assassinado durante o incêndio. São informações extra-oficiais que serão investigadas”, afirmou.

Sobre o fato do suspeito de ter atirado contra o policial, Antônio Francisco dos Prazeres Ferreira, de 33 anos, ter ido a delegacias e saído pela porta das frente, o delegado confirmou que o procedimento é o padrão. “Como o flagrante passou, ele teria que ser colocado em liberdade, acompanhado do advogado. Sem mandado de prisão, não tem o que ser feito”, explicou.

Advogado do suspeito

O advogado José Valdeci, que representa Prazeres, afirmou à Banda B que foi procurado pelo suspeito após o incêndio que atingiu a Invasão 29, na Vila Corbélia, Cidade Industrial de Curitiba, onde o soldado Norio foi assassinado; “Ele me disse que estava disposto a colaborar, para que parasse a violência no bairro em que morava. Por isso, acabou me procurando”, descreveu.

Entretanto, de acordo com o advogado, por não ter mais flagrante ou mandado de prisão, Prazeres saiu pela porta da frente de duas delegacias. “Eu levei ele para apresentar na Central de Flagrantes, mas não foi recebido. Em seguida, fui até a DVC (Delegacia de Vigilâncias e Capturas), porém também não deu certo, porque não havia mandado de prisão. Por volta das 3h, me falaram para ir de novo à Central de Flagrantes. Ele disse então que não iria mais se apresentar. Foi embora e não o vi mais”, relatou o advogado.

Prazeres já esteve preso recentemente pelo Cope (Centro de Operações Policiais Especiais) ao ser flagrado com a arma de um policial militar. Entretanto, ele acabou solto em uma audiência de custódia, respondendo ao crime em liberdade.

O crime

Na madrugada desta sexta-feira (7), o soldado Norio foi morto com dois tiros após atender uma reclamação de perturbação de sossego na região da Vila Corbélia, podendo ter sido vítima de uma emboscada. Ele foi atingido com um tiro no colete balístico e outro do pescoço, que acabou sendo fatal. O parceiro dele, assim que viu o amigo ferido, o colocou na viatura e seguiu até a UPA Barigui.

Erick Norio estava há 5 anos na Polícia Militar do Paraná, integrando o 23° Batalhão. Ele deixou esposa e um filho de 4 anos.