A mulher permanece presa no 8º Distrito da Polícia Civil, onde funciona a Central de Flagrantes. (Foto: Flávia Barros – Banda B)

A mulher que matou a amiga com um golpe de mata leão na madrugada desta quarta-feira (26) não teve fiança arbitrada porque já possui antecedentes criminais. Daiana Pereira Barroso, de 33 anos, já responde pelo crime de tentativa de homicídio contra o ex-marido, como apurou a Polícia Civil. O rapaz tem histórico de violência doméstica e já foi enquadrado pela Lei Maria da Penha.

De acordo com a delegada Sandra Nepomuceno, do 8º Distrito, durante depoimento, a própria Daiana admitiu que foi autuada anteriormente. “Ela afirmou que o crime de tentativa de homicídio já havia sido descaraterizado para lesão corporal grave, informação que ainda precisa ser confirmada. Nós também descobrimos que esse delito foi cometido contra o ex-marido dela. Em uma das brigas entre os dois, que eram bastante frequentes conforme relatos de vizinhos, ela quase ateou fogo nele”, contou a investigadora em entrevista à Banda B.

A delegada informou que agora, diante da morte da amiga Alexandra Maria da Silva, 44, Daiana deve responder por homicídio culposo, quando não há intenção de matar. “Ela nos disse que a vítima tentou matar o filho dela, de três anos de idade, e, por isso, decidiu conter a mulher, usando um golpe mata leão, com o objetivo único de imobilizá-la até a chegada da polícia. Nisso, Daiana achou que a Alexandra tinha desmaiado, mas, na verdade, ela já estaria morta”, completou a delegada.

O crime

Segundo o depoimento de Daiana, a amiga, que é de São Paulo, foi passar o Natal na casa dela, no bairro Jardim das Américas, em Curitiba. Ela chegou no dia 24 e permaneceu até a madrugada de hoje, quando foi morta. Na residência, além das duas, estavam também os quatro filhos de Daiana – que têm entre três e 16 anos de idade.

“Ela relatou que está em processo de separação e que o ex-marido foi passar o Natal em São Paulo. De acordo com Daiana, ela e a amiga tinham feito uso de bebida alcoólica por dois dias seguidos e a Alexandra estaria sem dormir desde o dia 24. Por isso, nós suspeitamos que houve também o uso de entorpecentes. A Daiana nega que tenha feito isso, admitiu que já foi usuária de drogas, mas que havia abandonado o hábito há anos. Ela comentou, no entanto, que viu Alexandra ir ao banheiro para usar cocaína”, afirmou a delegada.

No momento em que a vítima teve um surto psicótico, segundo o depoimento, ela começou a falar frases desconexas, disse, por exemplo, que “tinha a missão de matar o filho da Daiana e que estaria possuída”.

A Alexandra teria, então, agarrado o filho mais novo de Daiana, momento em que a mãe a segurou e deu um mata leão. “Na hora da confusão, Daiana pediu para que os outros filhos ligassem para a polícia. Nós vamos verificar o histórico do telefone para incluir no inquérito”.

As crianças foram encaminhadas para o Conselho Tutelar, para que os procedimentos cabíveis sejam adotados. O pai, o ex-marido de Daiana, deve retornar de viagem amanhã. Ainda não se sabe, no entanto, com quem os menores devem ficar.

A suspeita permanece presa na Central de Flagrantes de Curitiba e o caso continua a ser investigado pela Polícia Civil.

IML

O corpo de Alexandra ainda não foi liberado do Instituto Médico Legal. Informações apuradas no local dão conta de que ela era empregada doméstica e que foi reconhecida pelos filhos do patrão dela, que viram o caso na imprensa e resolveram ir até o IML.

Segundo eles, ela não tinha parentes maiores de idade em Curitiba, apenas uma filha, que seria adolescente. Por isso, a liberação do corpo terá que ser feita via judicial.