A moradora de Piraquara, região metropolitana de Curitiba, que disse em uma live no Facebook que conseguiu uma receita milagrosa para curar o coronavírus, foi indiciada nesta quinta-feira (14) pelos crimes de curandeirismo e charlatanismo. A mulher, de 63 anos, teria dito em depoimento à polícia civil que divulgou a receita, após recebê-la de um anjo que apareceu dias antes durante a madrugada.

(Foto: Reprodução Live Facebook)

Cerca de mil pessoas acompanharam a transmissão da última segunda-feira (11). Ao tomar conhecimento do fato, a Secretaria Municipal de Saúde denunciou o caso à Promotoria de Justiça, que solicitou investigação policial.

O superintendente da Delegacia de Piraquara, Sérgio Klaar, afirma que a mulher foi encaminhada à delegacia para prestar esclarecimentos nesta quinta-feira. “Nós localizamos essa senhora no Centro de Piraquara e a mesma foi conduzida à delegacia para prestar esclarecimentos. O pessoal da Secretaria de Saúde também compareceu à delegacia e formalizou a queixa-crime. Agora a suspeita vai ser investigada”, disse Klaar.

Anjo

Sobre o encontro com o anjo, a moradora de Piraquara relatou que estava acordada e ajoelha rezando, quando ele apareceu e repassou a receita, que seria composta por água, vinagre, água sanitária e água oxigenada. Segundo ela, as pessoas poderiam colocar a mistura em suco para beber.

A terapeuta e naturalista’, como se identifica a investigada, foi proibida de veicular a receita, já que todo medicamente precisa ter registro oficial na Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

O vídeo já foi retirado da rede social.

“Preocupação”

O vice-presidente do Conselho Regional de Medicina do Paraná, Wilmar Mendonça Guimarães, afirmou que é assustador pessoas divulgarem este tipo de falso tratamento. “Existe previsão no Código Penal de que pessoas que exercem curandeirismo podem ser presas. A senhora deste vídeo, dá para se ver que tem limitações culturais, mas ela dá o endereço e propõem tratamentos, como se recebesse uma cura de Deus, o que pode causar um grande dano”, ressaltou.

Mendonça fez questão de destacar que o coronavírus não tem cura e que, infelizmente, muitas informações acabam confundindo as pessoas. “Se fala hoje da cloroquina, amanhã da azitromicina e semanas depois vem estudos mostrando que não é uma pratica adequada. Isso vem acontecendo muito, porque é uma doença nova e sem uma cura. As pessoas acabam buscando uma solução, porque a doença é grave e com mortalidade elevada no grupo de risco”, concluiu.

Os cuidados reais, sem uma cura ou tratamento 100% efetivos, são a higienização das mãos e o isolamento social. O resto é pura fantasia.