Uma confusão envolvendo trabalhadores metalúrgicos e policiais militares foi registrada na manhã desta quarta-feira (4) em frente à fábrica da empresa Brose do Brasil, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. Durante o protesto, o diretor do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, Nelson Silva de Souza, foi preso.

Segundo o sindicato, a confusão começou após uma reunião realizada na última sexta-feira (31) terminar sem acordo. Ao chegarem para trabalhar, os funcionários teriam sido impedidos de acessar a empresa, com viaturas da Polícia Militar posicionadas nas imediações da fábrica.
De acordo com o sindicato, a presença policial gerou tensão e a situação evoluiu para confronto. A entidade afirma que houve uso de spray de pimenta durante a ação.
Sindicato fala em repressão e práticas antissindicais
Em nota oficial, o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba repudiou a atuação da Polícia Militar e acusou a empresa de adotar práticas antissindicais.
“Trabalhadores estavam reivindicando, de forma legítima e democrática, melhores condições de trabalho e salário, quando foram, simplesmente, atacados pela polícia”
diz trecho da nota.
A entidade afirma ainda que os trabalhadores têm sofrido pressão e assédio desde o início das mobilizações, além de dificuldades para realizar assembleias devido à presença constante da polícia.
“Ao invés de sentar para negociar, a empresa prefere dificultar apelando para práticas antissindicais e utilização inexplicável da polícia na tentativa de enfraquecer a mobilização dos trabalhadores”, afirma o sindicato.
Diretor sindical preso
Durante a confusão, o diretor sindical Nelson Silva de Souza foi detido. O sindicato classificou a prisão como uma tentativa de criminalizar o movimento e intimidar os trabalhadores.
A entidade cobra providências das autoridades e afirma que a mobilização por melhores salários e condições de trabalho vai continuar.
O que diz a Polícia Militar do Paraná
Procurada pela Banda B, a Polícia Militar do Paraná (PMPR) informou que foi acionada para atender uma ocorrência de manifestação sindical em frente à empresa Brose do Brasil.
Segundo a PMPR, integrantes do sindicato se concentraram na entrada da empresa, o que teria restringido o acesso de aproximadamente 30 trabalhadores às dependências da unidade, impedindo o livre exercício do trabalho.
A corporação afirma que garantiu aos trabalhadores o direito constitucional ao trabalho, com oferta de escolta policial para ingresso na empresa, além de assegurar o direito de greve e permanência no local, desde que de forma pacífica.
Ainda conforme a PMPR, Nelson Silva de Souza teria desacatado a equipe policial e se recusado a liberar a entrada dos trabalhadores, alegando que todos deveriam participar da assembleia.
“O indivíduo não acatou a ordem policial para liberação da entrada, motivo pelo qual recebeu voz de prisão pelos crimes de desacato, atentado contra a liberdade de trabalho e resistência à prisão”
informa a PMPR.
Foi relato ainda que, diante da resistência, foi necessário o uso “diferenciado e seletivo da força” para o encaminhamento do manifestante à Delegacia de Polícia, com o objetivo de preservar a ordem pública e garantir o cumprimento da lei.