Mesmo preso, o delegado Erik Busetti, acusado de matar a esposa e a enteada a tiros, teve acesso ao sistema da Polícia Civil e fez várias pesquisas. Entre os nomes pesquisados está o da advogada Louise Mattar Assad, que é assistente de acusação no julgamento dele, que entra no quarto dia nesta quinta-feira (4). 

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Louise Mattar Assad (foto da esquerda) atua como assistente de acusação, buscando condenação de delegado Erik Busetti (foto da direita). Foto: Reprodução/CBN Curitiba.

A denúncia foi feita pela Comissão de Defesa das Prerrogativas Profissionais da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Paraná (OAB-PR). O delegado está preso desde março de 2020, quando o crime aconteceu, e não poderia ter acesso à internet e nem ao sistema da Secretaria da Segurança Pública do Paraná (SESP-PR) de dentro da prisão, mas isso ocorreu. 

Conforme os documentos que constam no processo, que é público e a Banda B teve acesso, foram várias as consultas realizadas pelo delegado Erik Busetti ao sistema da SESP, mesmo preso. 

De acordo com o processo, assinado pelo corregedor Alexandre Bonzatto, que assumiu a investigação, assim que a Polícia Civil tomou conhecimento do que Erik estava fazendo, de dentro da prisão, foi solicitado para que fosse suspenso o acesso, o que foi prontamente atendido.

Além disso, os investigadores também pediram que fosse feito o rastro de todas as consultas realizadas pelo delegado desde 5 de março de 2020. A investigação descobriu que, além de consultar o próprio nome, ele também consultou outros delegados e pessoas diversas, algumas possivelmente detidas no sistema prisional e também consultas a veículos diversos. 

Erik chegou a ser intimado a ser ouvido, mas ficou em silêncio, pois não estava acompanhado do advogado. 

Na investigação, segundo o documento, o uso do login e acesso ao sistema pelo delegado preso foi entendido como indevido. Conforme a avaliação do corregedor, “o uso do sistema foi para fins de satisfação de interesse pessoal, seja por mera curiosidade ou para satisfazer pretensões de terceiros (não identificados)”. 

Buscas por advogada

Entre as pessoas as quais o delegado buscou no sistema está o nome de Louise Mattar Assad. A advogada defende a família das vítimas mortas pelo delegado, atuando como assistente de acusação no júri que ocorre nesta semana.

No ofício, encaminhado pela Comissão de Defesa das Prerrogativas Profissionais à 1ª Vara do Tribunal do Júri de Curitiba, consta que Erik Busetti, preso no Complexo Médico Penal, fez uso de um dispositivo eletrônico e de seu login corporativo enquanto delegado. Por, pelo menos, 18 vezes, pesquisou sobre a vida da referida profissional, como endereço, veículos registrados em seu nome e outras informações.

“Em resumo, tais fatos causam profunda preocupação e perplexidade a esta Comissão, principalmente se considerado que o acesso ocorreu no interior de uma penitenciária, mediante dispositivo eletrônico não autorizado e com uma credencial que, em tese, deveria estar suspensa ou revogada”

diz o ofício. 

Ainda conforme a Comissão, a gravidade fica ainda mais evidente pelo fato de que se trata de uma advogada, “que teve a sua vida devassada pelo simples fato de que estava exercendo a sua profissão”.

O ato do delegado foi entendido como uma forma de “clara tentativa de intimidação, coação e, ainda, verdadeira afronta a toda dignidade e liberdade profissional da classe”. 

“Dessa forma, requer-se, com urgência, a adoção das medidas necessárias, pertinentes e indispensáveis a fim de garantir a preservação de todas as Prerrogativas Profissionais da Dra. Louise Mattar Assad e, acima de tudo, a sua integridade física”

conclui o ofício da Comissão de Defesa das Prerrogativas Profissionais.

O que dizem os envolvidos?

Em nota, a Polícia Civil do Paraná (PCPR) informou que “a custódia do indivíduo não estava e não está sendo feita” pela instituição. Ainda conforme a PCPR, o inquérito que apurava a conduta em relação ao acesso à sistema foi concluído e encaminhado à Justiça. “Por padrão, a PCPR não se manifesta sobre casos que já estão em fase judicial, pois cabe ao Ministério Público sua condução”.

Também entramos em contato com a Polícia Penal do Paraná, que foi questionada sobre de que forma o acesso foi feito, como o delegado estava com acesso à internet e por qual motivo foi permitido o acesso à internet mesmo preso, e o que foi feito após isso ser descoberto. Aguardamos retorno.

Ainda, a Banda B tenta contato com a equipe de defesa de Erik Busetti. O espaço está aberto.

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Foto: Colaboração/Banda B.

Jugalmento de Erik Busetti

O julgamento de Erik Busetti entra no quarto dia nesta quinta-feira, o que é para ser o último de júri. O delegado foi denunciado pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR) pelo duplo feminicídio da esposa, Maritza Guimarães de Souza, de 41 anos, e da enteada, Ana Carolina de Souza, de 16.

Para a Promotoria, o crime foi cometido com motivo torpe, pois ele não aceitava o fim do relacionamento. A defesa de Erik alega que o crime não se trata de um feminicídio, enquanto a acusação afirma que está claro o contrário.

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Mesmo preso, delegado Erik Busetti usou sistema da SESP e fez buscas por nome de advogada: ‘Intimidação’

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