Kameron Odila Gouveia Osolinski, de 11 anos, foi assassinada durante um estupro cometido pelo próprio padrasto, de acordo com a Polícia Civil. A menina, que vivia em Guaraqueçaba, no litoral do Paraná, foi encontrada morta na última quinta-feira (27), um dia depois de ser dada como desaparecida.

O desaparecimento

A mãe da garota, Mayra Dorigon Gouveia, que é professora na rede municipal, registrou um boletim de ocorrência na quarta-feira (26) e relatou à polícia que o desaparecimento aconteceu durante o trajeto da filha até a casa de uma amiga para fazer um trabalho escolar. Ela saiu de casa por volta das 14h e deveria ter retornado até as 18h, diz o documento.

Entenda a cronologia da morte de menina assassinada pelo padrasto no litoral do Paraná
A menina Kameron Odila Gouveia Osolinski, de 11 anos – Foto: Arquivo pessoal

Gouveia chegou a ir na casa da amiga da filha e soube que ela não havia passado por lá. Moradores da região onde ela vivia fizeram buscas no município e Kameron não havia sido encontrada. A mãe também comunicou à polícia que o marido estaria em casa no momento em que a menina saiu para ir até a residência da amiga.

“O padrasto achou estranho, pois a menor Kameron levou a mochila e o carregador do celular”, diz trecho do B.O.

Corpo é encontrado

Horas após a comunidade e autoridades darem início às buscas pela estudante, o corpo dela foi localizado semienterrado em uma área rural de Guaraqueçaba, cidade com cerca de 7,5 mil habitantes. Naquele dia, em 27 de abril, o padrasto dela, Givanildo Rodrigues Maria, de 33 anos, foi preso em flagrante pela Polícia Civil por suspeita de homicídio e ocultação de cadáver.

Logo após a prisão, Givanildo foi ouvido pelo delegado responsável pelas investigações e negou a autoria do crime. No dia seguinte, após a audiência de custódia, a Justiça determinou a soltura do padrasto.

Padrasto é solto

De acordo com o juiz Jonathan Cheoang, do Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR), Givanildo não foi preso nas condições previstas em relação ao flagrante. Devido a essa avaliação, o magistrado determinou pelo relaxamento do flagrante.

“Como foi encontrado o corpo da vítima, conclui-se que há prova da materialidade delitiva. Sobre a autoria, por ora, o que existe são as contradições no depoimento do suspeito, entre elas, o fato de o suspeito ser o responsável por cuidar da vítima e ter declarado que a vítima teria saído de casa para ir à casa de uma amiga. Contudo, ouvida a mãe da amiga, ela disse que fazia tempo que a vítima não ia até a casa dela”, acrescenta o juiz, que também citou um “suposto sentimento de posse” do padrasto sobre a enteada.

Entenda a cronologia da morte de menina assassinada pelo padrasto no litoral do Paraná
O padrasto Givanildo Rodrigues Maria, de 33 anos, que confessou ter assassinado a própria enteada – Foto: Reprodução/Polícia Civil

Apesar de constar também as informações de que a esposa percebeu sinais de barro e folhas dentro de casa e de a polícia ter encontrado os tênis da vítima dentro do carro do suspeito, Cheoang argumentou: “Embora esses elementos não permitam concluir que existem indícios suficientes de autoria para o oferecimento de uma acusação formal contra ele, são elementos que não podem ser ignorados e são suficientes para sustentar uma linha de investigação contra o suspeito”.

No entanto, a Justiça entendeu que não existiam elementos concretos que demonstrassem a periculosidade do padrasto e não haviam sinais de que ele pudesse “vir a destruir provas ou se evadir do distrito da culpa caso posto em liberdade”.

Por fim, o juiz negou a decretação da prisão preventiva contra Givanildo e determinou a soltura.

Padrasto confessa crime e é preso novamente

No sábado (29), horas depois de ser solto, Givanildo Rodrigues Maria confessou ter estuprado e matado a criança e foi preso novamente. Ele decidiu se apresentar na Delegacia de Paranaguá, também no litoral do Estado. O delegado, após ouvi-lo, solicitou à Justiça a prisão preventiva dele.

Durante depoimento, o padrasto alegou que a enteada morreu depois de ser asfixiada durante o estupro. Ele também explicou à polícia como escondeu o corpo de Kameron, que foi encontrada com partes do corpo à mostra e coberta parcialmente por folhas.

Entenda a cronologia da morte de menina assassinada pelo padrasto no litoral do Paraná
Kameron Odila Gouveia Osolinski foi encontrada morta na quinta-feira (27/4), um dia depois de ser dada como desaparecida – Foto: Arquivo pessoal

No sábado, o Ministério Público do Paraná (MPPR) recebeu o material colhido sobre o caso até o momento e o órgão deverá decidir pela denúncia ou não do padrasto à Justiça.

Enterro da menina

O enterro de Kameron ocorreu no sábado (29), no Cemitério Municipal Santa Cândida, em Curitiba. Em entrevista à Banda B, o pai de Kameron disse nunca ter suspeitado que o padrasto pudesse fazer algo contra a filha.

“Eu não tinha suspeita porque em todos os momentos que a Kameron estava comigo, ela não esboçava reação de nenhum tipo de abuso e de nenhum tipo de maus-tratos, nenhum indício de que estivesse acontecendo algo com ela. Eu perguntava para ela como era o relacionamento com o padrasto e sempre parecia ser algo normal”, afirmou Aurélio José Osolinski.