A Policia Civil do Paraná (PCPR) concluiu o Inquérito Policial do duplo feminicídio que provocou a a morte da escrivã Maritza Guimarães de Souza, 41 anos, e da filha dela Ana Carolina de Souza, 16. O delegado Erik Busetti, que assumiu os crimes da esposa e da enteada, foi indiciado por duplo feminicídio com incidência de aumento de pena por ter cometido o crime próximo da filha de nove anos, que estava num dos quartos. O crime ocorreu no último dia 4, na casa das vítimas, no bairro Atuba, em Curitiba.
A polícia teve acesso a um aparelho DVR com imagens de cenas capturadas dentro da casa da família no dia dos crimes. Segundo a delegada Camila Cecconello, o casal discutiu por cerca de três horas antes dos tiros e Maritza fez as malas para ir embora de casa naquela noite. Só voltou porque ouviu gritos da filha Ana, que havia sido agredida por Erick.
“Em determinado momento, as imagens mostram que a Maritza começou a fazer as malas para ir embora de casa. Ela pega a bolsa perto da meia-noite e vai ao 1º andar, como se estivesse saindo. As imagens mostram que neste momento a Ana abre a porta do quarto e começa a discutir com Erick que dá chutes e tapas na enteada. Ela se pendura nas costas dele e, neste momento, ao ouvir a discussão, a Maritza volta ao segundo andar. Daí todos começam a brigar e entram num ponto cego das câmeras”, conta a delegada.
A delegada relata que neste momento ouve-se 13 tiros. Maritza foi atingida por sete disparos na sequência e Ana por seis. Elas morreram na hora.
“As imagens mostram então as duas caindo abraçadas. Neste momento, as imagens mostram a camiseta dele rasgada, o que comprova que houve luta corporal entre os três”, completa.
A Polícia não divulgou as imagens durante a entrevista coletiva sobre o indiciamento na manhã desta segunda-feira (16).
Segundo a delegada não é possível dizer quem ele matou primeiro. Os dois estavam em processo de separação.
“Temos uma mensagem de texto enviada a uma advogada em que Maritza dizia que queria se separar de Erick mesmo que fosse no litigioso. Ouvimos testemunhas que disseram que os dois estavam na mesma casa, mas dormiam em quartos separados há um ano”, contou Cecconello.
Vizinhos também foram ouvidos e disseram que o delegado estava bastante abalado ao sair da casa. “Os vizinhos e os parentes disseram que não imaginavam que ele pudesse fazer algo assim. Logo após os crimes, disseram que ele falava frases desconexas”.
O delegado Erick Busetti permanece preso no Complexo Médico Penal, em Pinhais.
A defesa do delegado ainda não se manifestou sobre a conclusão do inquérito.
