A morte de uma mãe de 36 anos e da filha dela, de apenas 3, após o carro da família cair no Rio Paraná, em Porto Rico, no noroeste do Estado, passou a ser investigada pela Polícia Civil como um possível crime provocado intencionalmente. O principal suspeito é o marido da vítima e pai da criança, que foi preso preventivamente na última sexta-feira (8).

O caso aconteceu na noite de 2 de maio e ganhou novos desdobramentos após a polícia identificar contradições no relato apresentado pelo homem e analisar imagens de câmeras de segurança que mostram o trajeto do veículo antes da queda no rio. Veja o que se sabe sobre o caso até o momento:
Quem são mãe e filha que morreram?
As vítimas foram identificadas como Iria Djanira Roman Costa Talaska, de 36 anos, e Maria Laura Roman Talaska, de três anos. Iria trabalhava no Hospital Municipal Santa Rita de Cássia, em Nova Londrina, cidade onde a família morava.
Após a confirmação das mortes, a prefeitura publicou uma nota de pesar lamentando a perda da servidora e da criança, que estudava no Centro Municipal de Educação Infantil Arco-Íris.
Como aconteceu a queda do carro no rio?
O caso aconteceu por volta das 22h30 do dia 2 de maio. Segundo as informações iniciais, a família retornava para casa após participar de uma confraternização em Porto Rico.
Durante o trajeto, o carro entrou em uma rampa de acesso ao Rio Paraná e acabou submerso. Moradores perceberam a situação e acionaram equipes do Corpo de Bombeiros e do Samu.
Segundo a polícia, o marido de Iria e pai da criança foi o único ocupante do veículo a conseguir sair da água com vida.
Como mãe e filha foram encontradas?
Durante as buscas realizadas pelos bombeiros, Iria foi encontrada primeiro dentro do carro submerso. Ela chegou a ser retirada da água, mas a morte foi confirmada ainda na margem do rio.
Na sequência, os socorristas encontraram Maria Laura também dentro do veículo, já sem sinais vitais. O automóvel foi retirado do Rio Paraná no domingo (3) e passou por perícia.
O que o homem disse inicialmente à polícia?
De acordo com a Polícia Civil, o homem afirmou inicialmente que era a esposa quem dirigia o veículo no momento da queda no rio.
Segundo a versão apresentada por ele, Iria teria errado o caminho durante o retorno para Nova Londrina, o que teria levado o carro até a rampa de acesso ao Rio Paraná.
A investigação, porém, começou a apontar inconsistências no relato.
O que mostram as imagens de câmeras de segurança?
A delegada Iasmin Gregorio informou que a polícia analisou 23 imagens de câmeras de segurança para reconstruir o trajeto feito pela família naquela noite.
De acordo com a investigação, gravações mostram que era o homem quem dirigia o veículo desde a saída da casa onde ocorreu a confraternização até o momento em que o carro entrou no rio.
“Isso refuta a declaração do investigado de que quem estaria dirigindo seria a sua esposa e que ela estaria perdida”, afirmou a delegada.
Ainda segundo a polícia, o percurso até o rio durou cerca de oito minutos e aconteceu de maneira linear, sem sinais de que o casal tenha parado para pedir informações ou ajuda.
Por que a polícia suspeita de ação intencional?
Além das contradições identificadas no depoimento, a polícia também considera suspeito o fato de o homem ter conseguido sair do carro com facilidade enquanto a esposa e a filha permaneceram dentro do veículo.
Outro ponto destacado pela investigação é que, segundo a análise das imagens e dos levantamentos feitos até agora, ele demorou cerca de um minuto e meio para pedir socorro após sair da água.
Com base nos elementos reunidos até o momento, a Polícia Civil afirmou haver indícios de que a queda do veículo no rio possa ter sido provocada propositalmente.
O homem foi preso?
Sim. Márcio Talaska, de 38 anos, foi preso preventivamente pela Polícia Civil na sexta-feira (8), em Nova Londrina.
A prisão aconteceu após a Justiça aceitar o pedido apresentado pela investigação diante dos indícios levantados durante o inquérito.
Até o momento, a polícia não divulgou detalhes sobre quais crimes podem ser atribuídos formalmente ao investigado ao final da investigação.
O que diz a defesa?
A defesa do homem informou ao portal TN Online, parceiro da Banda B, que ainda não teve acesso completo ao inquérito policial e que pretende recorrer da prisão preventiva.
Em nota, os advogados afirmaram que o cliente está “profundamente abalado e emocionalmente destruído pela tragédia”.
A defesa também declarou que fará uma análise mais aprofundada após ter acesso integral aos elementos que fundamentaram a decisão judicial.
O que falta esclarecer?
A Polícia Civil ainda aguarda o resultado de laudos periciais para concluir o inquérito sobre o caso. Entre os pontos que seguem sob apuração estão a dinâmica exata da queda do carro no rio, o funcionamento do veículo, as circunstâncias da saída do homem da água e os elementos técnicos que possam indicar se houve ação intencional.
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