Foto: Reprodução Antônio Nascimento/Divulgação Botafogo

 

Começaram nesta segunda-feira (18) as primeiras audiências de instrução do processo que investiga a morte de Daniel Correa Freitas. Entre as pessoas que devem ser ouvidas na 1ª Vara Criminal de São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, estão familiares do ex-jogador de futebol. De acordo com a madrinha, Regina Correa de Assis, agora a família passa a ser “a voz de Daniel”.

“Ele sempre foi e vai continuar sendo muito amado. Agora somos a voz do Daniel, já que ele foi calado por essas pessoas. O Daniel sempre foi um menino do bem e era uma pessoa pública, é fácil comparar a vida dele com a das pessoas que acabaram com a vida dele”, disse a madrinha.

Regina também admitiu a dificuldade de chegar em São José dos Pinhais após o crime. “Chegar aqui em São José dos pinhais não é fácil. A gente parece que está em estado de choque desde o dia que soubemos da morte dele até hoje”, lamentou.

Além da madrinha, devem prestar depoimento a mãe de Daniel, Eliane Aparecida Corrêa Freitas, e a mãe do filho de Daniel. Neste primeiro dia de audiências, a Justiça ouviu uma testemunha sigilosa no processo.

A madrinha contou ainda que falou com o Daniel às vésperas do crime, justamente por conta de seu aniversário. “Ele chegou a perguntar se eu não me importava dele perder meu aniversário porque iria em outro com amigos em Curitiba com o pessoal do time. Para a gente, ele estava apenas indo para a casa dos pais de uma amiga, nunca imaginaríamos isso”, concluiu.

Audiência

A família Brittes e os outros quatro réus pela morte do jogador chegaram ao Fórum da Comarca de São José dos Pinhais por volta das 14h desta segunda-feira (18). Eles foram transportados juntos até o local por uma van do Departamento Penitenciário do Paraná (Depen).

Cristiana Rodrigues e Allana Emilly Brittes, mãe e filha, estavam no banco de trás do veículo, enquanto foram colocados no camburão: Edison Luiz Brittes Júnior, Eduardo Henrique Ribeiro da Silva, Ygor King e David Willian Vollero Silva. Dos sete réus, apenas Evellyn Brisola Perusso responde ao processo em liberdade.

A expectativa é de que 14 testemunhas de acusação sejam ouvidas durante a audiência. Entre elas, está a mãe do jogador, Eliana Aparecida Corrêa Freitas. Na sequência, prestarão depoimento testemunhas da defesa e, por fim, os réus.

O crime

Daniel Freitas participou da festa de Allana Brittes, em uma boate de Curitiba, na sexta-feira, 26 de outubro. A festa prosseguiu na casa da família, em São José dos Pinhais, onde Daniel relatou a amigos, pelo WhatsApp, que a mãe de Allana, Cristiana, estava dormindo e que ele se aproximaria dela. A partir daí, as versões de suspeitos e testemunhas divergem. Edison Brittes, pai de Allana e marido de Cristina, disse ter flagrado o jogador tentando estuprar a mulher, o que gerou sua reação violenta, que culminou com a morte.

A tese de estupro é vista com desconfiança pelos investigadores. Antes de morrer, Daniel foi espancando, teve o pênis cortado e seu corpo foi abandonado em uma estrada. Edison, Allana e Cristiana foram presos dias após o empresário confessar que tinha matado o jovem como reação ao estupro. Outras três pessoas estão presas: Eduardo, Ygor e David. Para a polícia, eles estavam no carro quando o corpo da vítima foi transportado e é investigada a participação deles na tortura e morte do jogador.