Uma loja de veículos em Curitiba voltou ao centro de uma nova polêmica após uma confusão envolvendo clientes e funcionários terminar em agressões e atendimento médico. O caso aconteceu na última sexta-feira (13) e ocorre em meio a denúncias de supostos golpes, carros vendidos sem o repasse de valores aos proprietários e um prejuízo que pode ultrapassar R$ 4 milhões, segundo a Polícia Civil do Paraná (PCPR).

A confusão começou quando a proprietária de um veículo deixado em consignação decidiu ir até a loja para retirá-lo, após tomar conhecimento de relatos de irregularidades envolvendo o estabelecimento. Ela estava acompanhada do marido e do sogro. As informações são da Ric RECORD.
De acordo com a mulher, que preferiu não se identificar, o marido avistou o carro no pátio e entrou no veículo com a chave reserva para tentar sair do local. Funcionários e seguranças teriam impedido a retirada, iniciando uma discussão que rapidamente evoluiu para agressões físicas.
A cliente afirma que o marido e o sogro foram atacados e que o veículo sofreu danos, como retrovisor quebrado e porta amassada. Diante da situação, ela pegou um facão que estava no carro da família e tentou afastar as pessoas.
“Eu estava com medo. Já tinham pessoas agredindo eles e eu pensei no que fariam comigo depois. Peguei o facão para afastar eles. Foi defesa. Acabei me machucando também”
disse a cliente, em entrevista ao repórter Tiago Silva, da Ric RECORD.
Ela sofreu um corte na mão e precisou levar 17 pontos. Após a confusão, todos os envolvidos foram encaminhados à delegacia para registro da ocorrência.

Clientes relatam desespero para recuperar veículos
Nos últimos dias, diversos clientes têm procurado o local na tentativa de recuperar veículos ou valores que não teriam sido pagos após negociações.
O advogado Junior Ribeiro, que representa parte das vítimas, afirma que ao menos 30 clientes estão sob sua assistência, mas o número total de prejudicados pode ser maior. Segundo ele, muitos proprietários deixaram carros financiados na loja com a promessa de que as parcelas seriam quitadas após a venda — o que, conforme os relatos, não ocorreu.
“As pessoas estão desesperadas porque o financiamento continua no nome delas e o veículo não está mais com elas. Vieram tentar recuperar o carro para não ficar com o nome negativado”
afirma o advogado à Ric RECORD.
Investigação policial e suspeita de esquema
O caso é investigado pelo 7º Distrito Policial desde agosto do ano passado. Conforme a Polícia Civil, mais de 70 pessoas já registraram boletins de ocorrência relatando prejuízos após negociações com a empresa.
A polícia solicitou medidas como restrições de transferência de veículos e sequestro de bens ligados ao caso. O valor estimado do prejuízo ultrapassa R$ 4 milhões, podendo ser ainda maior.
A linha de investigação apura se o funcionamento do negócio seguia um modelo semelhante ao de um esquema piramidal, no qual a venda de novos veículos seria utilizada para cobrir dívidas anteriores, criando uma “bola de neve” financeira.
O delegado responsável pelo caso, Hormínio de Paula Lima Neto, solicitou à Justiça a prisão dos investigados e o bloqueio de bens, mas as medidas ainda não foram autorizadas. O Judiciário pediu novos elementos antes de decidir.
Dono admite dificuldades financeiras
O responsável pela loja publicou um vídeo nas redes sociais afirmando que a empresa enfrenta dificuldades financeiras. Segundo ele, uma equipe de auditoria foi contratada para reorganizar as contas e honrar compromissos com os clientes.
Apesar da declaração, vítimas contestam a versão e relatam que acordos teriam sido descumpridos após o pagamento de parcelas iniciais.
Outro ponto sob análise da polícia é o padrão de vida dos responsáveis pela empresa, que, segundo a investigação, não seria compatível com a crise alegada. Viagens, festas e veículos de luxo exibidos nas redes sociais teriam levantado suspeitas durante a apuração.
O advogado das vítimas informou ainda que solicitou ao Ministério Público medidas cautelares para evitar que mais pessoas sejam prejudicadas, incluindo o possível fechamento da loja e o bloqueio de operações financeiras