Clientes e comerciantes vizinhos denunciam prejuízos causados por uma loja de móveis que funcionava na Avenida República Argentina, em Curitiba. O estabelecimento fechou as portas após menos de um ano de funcionamento e agora é alvo de uma série de reclamações envolvendo produtos não entregues, supostos calotes e desaparecimento dos responsáveis.
Segundo relatos, ao menos dez pessoas afirmam terem sido lesadas. Somados, os prejuízos podem ultrapassar R$ 100 mil.
Uma das consumidoras contou em entrevista ao repórter Leonardo Gomes, da Ric RECORD, ter comprado duas poltronas por R$ 950, pagas à vista via Pix. A promessa era de entrega em até 15 dias, mas os móveis nunca chegaram.

“Meu marido comprou no Pix, já passou o Pix para ele e ficou de vir de fábrica em 15 dias. Antes dos 15 dias a loja já estava fechada”
relata Juliane Martinez.
Ela afirma que não conseguiu reaver nem os produtos, nem o dinheiro.
Ex-dona de lanchonete diz ter levado prejuízo de mais de R$ 20 mil
Além dos clientes, comerciantes da região também alegam terem sido prejudicados. A empresária Sônia Miranda contou que vendeu o ponto comercial de uma lanchonete para os proprietários da loja de móveis.
Segundo ela, o acordo previa pagamento de R$ 22 mil, sendo R$ 4 mil em dinheiro e o restante em móveis fornecidos pela própria empresa.
“Eles passaram o aluguel para o nome deles e o restante seria em móveis da loja. Eu cheguei a escolher junto com o meu filho”
afirmou Sônia.
No entanto, ela diz que o combinado nunca foi cumprido. “Eles assumiram imediatamente a loja, pegaram a chave, ficaram com meus funcionários. Não pagaram entrada nenhuma, nada de móveis, aluguel eu que paguei por um mês e meio, conta de água, conta de luz”, disse.
Sônia ainda relata que os empresários retiraram praticamente todos os itens do estabelecimento.
“Levaram tudo. Até lixeira, vassoura. Só deixaram o fogão velho”
afirma Cida Souza, ex-funcionária.
Cida também afirmou que não recebeu salários atrasados.
Após o fechamento da empresa, consumidores afirmam não conseguir mais contato com os proprietários. Há relatos de que eles poderiam estar abrindo outro comércio em outra região da cidade.
Defesa da loja de móveis denunciada atribui problemas a cancelamentos
Em nota enviada à Ric RECORD, a defesa da loja negou qualquer prática de estelionato.
Segundo o advogado Mário Migliozzi, os casos envolvem relações comerciais canceladas pelos próprios consumidores, principalmente por meio de chargeback — mecanismo em que o cliente solicita à operadora do cartão o cancelamento da compra e o estorno do valor pago.
A defesa sustenta que, nesses casos, a relação comercial é encerrada automaticamente, sem obrigação de entrega do produto ou devolução adicional de valores.
Ainda conforme a empresa, os prazos de entrega informados aos clientes seriam de até 30 dias úteis, o que poderia ter gerado confusão entre consumidores que interpretaram o período como dias corridos.
O departamento jurídico afirmou que os casos estão sendo analisados judicialmente e que pretende comprovar “a regularidade dos cancelamentos” e a inexistência de débitos pendentes.
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