Uma loja de veículos foi interditada pela Polícia Civil e o Procon, na manhã desta terça-feira (12), em São José dos Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba (RMC), após ser acusada de aplicar golpes em clientes. Segundo a Polícia Civil, cerca de 11 consumidores procuraram a delegacia para registrar boletins de ocorrência (BO), o que iniciou as investigações. Em entrevista, o proprietário da loja negou todas as acusações e se comprometeu a ressarcir todos os que se sentiram lesados: “Não sou bandido”.

O delegado Thiago Mendes, responsável pelas investigações, comentou como seriam as práticas da empresa, que levariam aos supostos golpes. Ele destacou que a loja recebe os carros daqueles que gostariam de vendê-los. A partir da venda, a empresa, com o dinheiro “em mãos”, não estaria repassando a quantia aos donos dos bens.
Qual é a consequência disso. Além da vítima não receber o dinheiro, o comprador do carro não o tem transferido para o seu nome. Então, o comprador passa a exigir que a empresa transfira o automóvel e vítima passa a pedir o dinheiro de volta. A empresa tem feito a prática, corriqueiramente.
Thiago Mendes, delegado.
Mendes destacou que a prática está prevista no artigo 171 do Código Penal Brasileiro – crime de estelionato.
Que é quando o agente [do crime] obtém uma vantagem ilícita em prejuízo alheio. Há uma medida cautelar administrativa expedida pelo Procon, e nós fomos executar.
Thiago Mendes, delegado.
O objetivo da ação também era garantir que a empresa proponha um plano de ressarcimento das vítimas, conforme destacou o superintendente Jaiderson Rivarola, do Procon de São José dos Pinhais.
Nós recebemos cinco ligações do Procon, 11 boletins de ocorrência que estavam ligando a este fato (golpe) e mais 55 ações, que tramitam na Justiça. Então, o Procon decidiu tomar a medida administrativa para suspender a venda de produtos dessa empresa. A interdição irá durar enquanto a empresa não apresentar uma proposta para o dinheiro desses consumidores.
Jaiderson Rivarola, do Procon de São José dos Pinhais.
O que diz o proprietário da loja de veículos em São José dos Pinhais
Alisson Adams, proprietário da loja, concedeu entrevista e comentou que está no ramo há 15 anos; e há cinco está com a loja. Ele justificou problemas financeiros no ano passado, o que levou a uma “bola de neve”.
Vendendo um para pagar outro, vendendo um para pagar outro, até que parou de vender. Vendia 50 carros, mas, agora, está vendendo uma média de 15 a 20. Eu posso dizer na frente das câmeras, perante a todo mundo: gente, eu não vou fugir. Estou aqui, tenho três filhos pequenos, não sou bandido.
Alisson Adams, proprietário.
Ele lamentou a situação durante a fala.
Acredito que cada pessoa que a gente deva, deve estar chorando em casa. Eu não me orgulho disso. Só que eu preciso trabalhar para poder fazer. Desde o dia 1º, a gente mudou a estratégia. Não pego mais a prazo, hoje eu só trabalho com carros de investidores e não tenho um carro de cliente final. É com o meu lucro que estou pagando as contas, só que demora. Não estou aqui para enganar ninguém. Só eu sei como não durmo a noite.
Alisson Adams, proprietário.
As investigações continuam em São José dos Pinhais.