O homem apontado com chefe do PCC (Primeiro Comando da Capital) no Paraná será julgado no tribunal do Júri nesta terça-feira (22), por um duplo homicídio e uma tentativa de homicídio ocorrida em 2018, no bairro Pilarzinho, em Curitiba. Célio Afonso da Silva,  que está preso desde junho de 2018,  acusado de comandar assaltos a bancos e a carros-fortes no estado, nega que tenha participado dos crimes. A defesa garante que vai provar sua inocência.

As mortes aconteceram no dia 3 de março de 2018, na Vila Bracatinga. Foram assinados, com tiros de fuzil AK47, Mizael Teodoro da Luz, de 36 anos, e Josiel Bruno Oliveira. Uma mulher foi baleada na perna e sobreviveu. Segundo a promotoria, Célio, conhecido como Coelho, teria sido o responsável pelos assassinatos em razão de uma briga pelo comando do tráfico de drogas na região. Mizael, com passagens por homicídio e roubos, seria um dos líderes, já Josiel não teria ligação com a disputa, mas acabou baleado e morreu.

Cemitério do Boqueirão, onde corpo de Mizael foi retirado do túmulo em 2018

Logo após o sepultamento, o cadáver de Mizael foi encontrado nu, ao lado do muro, por funcionários do cemitério do Boqueirão. A polícia foi chamada e a investigação apontou para uma ação de Célio, como prova de poder. O corpo foi deixado no cemitério, jogado, mas, segundo a polícia, a intenção era levar o cadáver, porém, algo impediu.

O advogado de defesa de Célio, Brunno Pereira, disse à Banda B nesta segunda-feira (21), que reconhece que seu cliente teve envolvimento em vários assaltos, porém, nunca teve ligação com o tráfico de drogas e está sendo acusado injustamente deste duplo homicídio.

“O Célio sequer conhecia estas pessoas, nunca mexeu com o tráfico de drogas e está sendo acusado destes homicídios injustamente. Vamos deixar evidente com testemunhas e provas que ele não teve relação com estes crimes. Fizemos uma investigação paralela que apontou, inclusive, a prática de magia negra no cemitério do Boqueirão na época, com outros casos de vilipêndio de cadáver”, afirmou.

Sobre uma possível briga de facções no Pilarzinho, o advogado rechaça a hipótese. “Célio não participava de nenhuma disputa pelo tráfico. Assume sim, outros delitos de assaltos, mas não tinha desavença com ninguém, muito menos com estas duas pessoas, ainda mais com este agravante de vilipêndio de cadáver”.

Os crimes

A fuzilaria aconteceu no dia 3 de março de 2018, no bairro Pilarzinho, em Curitiba, na Rua Maria Gusso Sforza. Segundo a polícia, testemunhas reconheceram  Célio (Coelho) como o autor do crime. O motivo seria que, possivelmente, Mizael teria dedurado a participação dele em um assalto a carro-forte que terminou na morte de três inocentes em Palmeira, nos Campos Gerais, um mês antes. Mizael teria feito isso numa disputa pelo comando do tráfico na região.

Um homem armado com um fuzil AK47 chegou disparando contra as vítimas. Além dos dois mortos, uma mulher foi socorrida em estado grave ao Hospital Evangélico e sobreviveu.

Assalto

A defesa de Célio reconhece a participação dele no assalto a cinco carros-fortes no dia 6 de fevereiro de 2018, na BR-376 na região da Colônia Witmarsum, entre São Luiz do Purunã e Ponta Grossa, nos Campos Gerais. Quinze marginais tentaram arrombar os veículos e trocaram tiros com os vigilantes, na altura do quilômetro 536. Seis pessoas foram baleadas no local, sendo dois criminosos e quatro inocentes (dois morreram, entre eles um vereador paranaense). Ainda, dois bandidos foram presos em flagrante, um deles com uma pistola Glock calibre 9 mm.