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Perícia psiquiátrica realizada pela policial civil Kátia das Graças Belo aponta que ela é portadora de Transtorno Explosivo Intermitente e, por isso, não estaria em perfeitas condições mentais no dia em que matou a copeira Rosaira Miranda da Silva, de 44 anos. A defesa teve acesso ao documento nesta quarta-feira (31) e estuda agora entrar até mesmo com uma ação contra o Governo do Estado. Rosaira foi morta em uma festa de confraternização, em 23 de dezembro de 2016.

Em entrevista à Banda B, o advogado Peter Amaro disse que alertou na época do crime que Kátia poderia ter algum tipo de transtorno e o laudo divulgado agora é a comprovação desta tese. “Esse documento é assinado por dois psiquiatras e mostra que na época dos fatos a Rosaira seria inimputável, que não poderia responder pelo crime. Não foi um surto bobo, a Kátia explodiu, saiu do ar. Ela realmente tinha esse transtorno e ele era agravado por um problema familiar e pela função dela”, afirmou.

Na época do crime, Kátia trabalhava no Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente (Nucria). Após o crime, ela assumiu funções administrativas sem direito a porte de arma pela Polícia Civil. Ela foi indiciada pela Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e denunciada pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR).

O assistente de acusação, Ygor Salmen, informou que ainda não teve acesso ao laudo. Ele prometeu se pronunciar após analisar o documento.

Ação contra o estado

Com o laudo, a defesa agora estuda entrar com uma ação contra o Estado e pedir a aposentadoria de Kátia. “Agora ela está em tratamento, medicada e, consequentemente, bem. Na ocasião, porém, o estado foi omisso e não socorreu quando ela precisava. O Paraná tem uma lei estadual que exige perícia anual de sanidade para os policiais, mas isso nunca foi feito. Se o estado cumprisse sua obrigação, isso nunca teria ocorrido. Na realidade, quem deveria estar sentado no banco dos réus é o secretario de segurança e o delegado-geral da Polícia Civil, que são omissos e não cumprem a lei”, disparou.

O processo atualmente está em fase de recursos. O MP-PR pede a retomada de qualificadoras, que poderiam agravar a pena, enquanto a defesa pede que o caso seja tratado como homicídio culposo, quando não há intenção de matar.

“É o cúmulo”

Marido de Rosaira, Francisco Feliciano Leite criticou a nova versão colocada. “É o cúmulo, ela mata uma inocente e agora se faz de louca. Eu entendo que é a defesa que a Kátia tem, mas o fato é que ela cometeu uma irresponsabilidade, com abuso de autoridade. Ela atirou contra uma festa, alguém queria matar, não há justificativa. Até o fato, ela não tinha problema nenhum, mas agora tem?”, questionou.

O caso

Rosaira participava de uma confraternização da empresa em que trabalhava no dia 23 de dezembro de 2016, no Centro Cívico, em Curitiba, quando foi baleada na cabeça. Ela chegou a ser socorrida e ficou internada no hospital, mas não resistiu e morreu no dia 1º de janeiro de 2017. Na DHPP, a suspeita disse que se irritou com o barulho da festa, que ocorria ao lado de casa. O disparo foi feito da janela do apartamento da acusada.