Por Marina Sequinel e Antônio Nascimento

A Justiça revogou, nesta segunda-feira (28),  a prisão preventiva dos 21 policiais acusados de torturar os quatro suspeitos de matar a adolescente Tayná Adriane da Silva, de 14 anos, em junho deste ano. Entre as acusações contra os policiais estão abuso de autoridade, falso testemunho, tortura, estupro e lesão corporal. O delegado Silvan Pereira pagou a fiança de R$ 10 mil e está em liberdade, os outros acusados, sem dinheiro para pagar o valor, seguem presos.

delegado-silvan-300913-bandabSilvan foi o único que pagou a fiança de R$ 10 mil (Foto: Divulgação)

Além da fiança, outras medidas cautelares como comparecimento em juízo a cada dois meses e afastamento das funções policiais foram determinadas. Eles também estão proibidos de chegar perto das supostas vítimas ou familiares e não podem se ausentar por mais de oito dias, sem autorização judicial.

De acordo com Cláudio Dalledone, advogado de Silvan, a prisão foi revogada pela Justiça devido a complexidade do caso, ao período de tempo transcorrido desde o crime e ao grande número de acusados. “O doutor Silvan já pagou o valor da fiança e em breve estará em liberdade. Os outros policiais, por possuírem renda mais baixa, ainda não conseguiram arrecadar o valor”, explicou à Banda B.

Dalledone afirmou que Silvan está abalado com a situação. “Ele teve que pagar pela liberdade que lhe foi tirada sem motivo algum. Quem matou a Tayná todos nós já sabemos. Foram os quatro jovens que se dizem vítimas de tortura”, completou o advogado.

A Justiça estendeu o benefício a todos os acusados. Por enquanto, Silvan foi o único a realizar o pagamento da fiança.

Caso

Tayná desapareceu no dia 25 de junho e foi encontrada morta três dias depois, em um terreno baldio de Colombo, na região metropolitana de Curitiba. Antes mesmo que o corpo fosse localizado, o delegado Silvan já havia apresentado quatro funcionários de um parque de diversões da região como suspeitos do crime. Segundo o delegado, eles teriam confessado ter estuprado e matado Tayná.

Alguns dias depois, a perícia concluiu que o sêmen encontrado nas roupas da menina não era de nenhum dos quatro acusados. Foi denunciada então a prática de tortura contra os suspeitos, que teria sido cometida pelos policiais da delegacia. Todos foram presos e os quatro suspeitos estão no programa de proteção a testemunha.