O Juiz Sérgio Bernadineti, da Vara de Auditoria da Justiça Militar Estadual, decidiu, na tarde desta terça-feira (13), trancar o inquérito da Polícia Civil que investigava os fatos que resultaram em uma perseguição policial seguida da morte do jornalista Andrei Francischini, na madrugada do dia 12 de maio, na Praça da Espanha, em Curitiba. Em julho, o inquérito Policial Militar foi concluído e sugeria o arquivamento do caso.

Andrei Francisquini (Foto: Arquivo)

De acordo com o documento concluído no mês passado, os policiais seguiram todos os procedimentos da Rotam (Rondas Ostensivas Tático Móvel), portanto, “não havendo crime a ser punido ou transgressão disciplinar a ser apurada”. A decisão revoltou a família, que pede isenção na avaliação do caso.

Na decisão desta terça-feira (13), o entendimento é de que o caso cabe à Polícia Militar. “Tratando-se de crime militar, ainda que a competência para processamento e julgamento seja da Justiça Comum, há necessidade de instauração de inquérito policial militar, obviamente, pela Polícia Militar”, afirmou o juiz.

Francisquini foi morto em um suposto confronto com a polícia. De acordo com a PM, o jornalista ‘furou’ um bloqueio policial e tentou atropelar a equipe que realizava a blitz. A família da vítima, porém, afirma que gravações de câmeras de segurança da Avenida Vicente Machado comprovam que dois policiais militares teriam disparado cinco vezes contra o carro do jovem sem que ele revidasse à ação.

Advogados dos PMs

Os advogados de defesa dos policiais militares envolvidos na ocorrência, Claudio Dalledone Junior e Eduardo Milleo, afirmam que a decisão segue o procedimento padrão de investigação nesses casos.

“A investigação destes fatos é de atribuição do Inquérito Policial Militar e de competência da Auditoria Militar e não da Polícia Civil. Por este motivo, nada mais justo que o inquérito instaurado pela Polícia Civil seja trancado como foi”, disse Milleo.

O advogado Claudio Dalledone Junior explica que para justiça comum atuar no caso é preciso que primeiro a Auditoria Militar indique se os policiais envolvidos nos fato cometeram algum crime. “O que temos é um pedido de arquivamento deste IPM, uma vez que não restam dúvidas de que os policiais militares agiram em conformidade com o procedimento interno, assegurando a ordem, preservando vidas e a segurança de centenas de inocentes. Esses policiais devem ser condecorados com medalhas de honra”, concluiu Dalledone.

Advogado da família

A reportagem entrou em contato com o advogado da família de Andrei, Paulo Cristo, que afirmou não ter sido informado ainda sobre a decisão.