Um dos principais suspeitos de participar da quadrilha que roubou de 770 quilos de ouro do terminal de cargas do Aeroporto Internacional de Guarulhos, em julho do ano passado, o ourives Marcelo José de Lima, 44, foi colocado em prisão domiciliar por determinação da Justiça.

Ele foi colocado em liberdade na última sexta-feira (17) após concessão de habeas corpus pelo ministro Edson Fachin, do STF (Supremo Tribunal Federal), e do ministro Sebastião Reis Júnior, do STJ (Superior Tribunal de Justiça), em razão do estado de saúde do suspeito.

Mesmo já tendo sido condenado por outros crimes e responder a outros processos, Lima poderá ficar em casa sem monitoramento eletrônico e sem vigilância de policiais na porta de casa. Pela decisão da Justiça de Guarulhos, deverá se apresentar no fórum tão logo os trabalhos voltem a normal, para “assinar termo de compromisso e entregar seu passaporte”.

Foto: Reprodução/TV Globo

Terá de se apresentar ao fórum duas vezes por mês e não poderá manter contato com os comparsas.

Lima estava preso desde novembro no ano passado, depois que equipes da 5ª Delegacia Patrimônio do Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais) de São Paulo conseguiram, após cerca de quatro meses de trabalho, confirmar a participação dele e descobrir seu paradeiro. Segundo a polícia, ele confessou participação no crime.

A soltura do ourives irritou integrantes da cúpula da segurança pública paulista porque, dizem, o suspeito não estaria doente quando praticou o crime, mas teria ficado após ser preso. O réu era submetido a tratamento de câncer em hospital penitenciário de São Paulo.

Ele foi o quinto preso por suspeita de participação no carregamento de ouro e joias preciosas do aeroporto de Guarulhos, em um das ações mais ousadas de criminosos paulistas. Eles clonaram veículos da Polícia Federal e, com ajuda de um funcionário do terminal, conseguiram levar os 770 quilos de outro e mais 15 quilos de joias que iriam para fora do país.

A suspeita da polícia que Lima tenha ajuda no escoamento do produto roubado, que não foi recuperado até hoje. Policiais afirmam estimar que o patrimônio de Lima supere R$ 2 milhões.

O roubo consumiu R$ 1 milhão dos assaltantes –a polícia estima um total de 14 pessoas envolvidas– e longo planejamento. A ação no aeroporto durou dois minutos e meio e foi captada pelas câmeras de segurança.