Redação

Rodrigo e Ellen em foto nas redes sociais

A Justiça começou a ouvir as primeiras testemunhas sobre o caso da morte do policial militar Rodrigo Federizzi para decidir se a esposa dele, Ellen Homiak, irá a júri popular. Ela confessou o crime ocorrido em agosto do ano passado e permanece presa desde então. As testemunhas começaram a ser ouvidas nesta segunda-feira (23). Ao todo, são 11 testemunhas de acusação e sete de defesa. O filho do casal, de 9 anos, também deve ser ouvido.Após essa fase, o juiz vai decidir se encaminha ou não o caso a júri popular.

Com os depoimentos, o juiz quer entender como era o relacionamento do casal e como o crime aconteceu. A acusação acredita que Ellen matou o marido por motivo banal, dentro de uma discussão de rotina. Já a defesa diz que a relação de Ellen e Rodrigo não era tão harmoniosa como dizem os familiares do policial. Porém, todos acreditam ser muito difícil que Ellen não vá a júri popular.

O crime

Uma reconstituição do crime foi feita 16 dias após o crime, no apartamento da família e na zona rural de Araucária, na região metropolitana, onde o corpo esquartejado foi encontrado. A esposa do policial confessou ser viciada em jogos de azar e disse ter perdido grande parte do dinheiro da poupança do marido.

Além disso, ela disse ser compradora compulsiva e gastava com roupas, acessórios e outros investimentos para o salão de beleza que ela planejava abrir. Festas e viagens para a família dela também foram mencionadas no depoimento, mas não há detalhes sobre de que forma esse dinheiro era oferecido a eles. A quantia gasta por Ellen somaria cerca de R$ 48 mil.

Ela também confessou que um sequestro relâmpago, ocorrido semanas antes do crime, foi simulado para que ganhasse mais tempo quanto às cobranças do marido em relação ao sumiço do dinheiro. Sem cartões de débito e crédito, Federizzi teria que esperar mais dias para acessar a conta poupança, administrada pela esposa. A aliança que Ellen afirmou ter sido roubada pelos sequestradores foi encontrada junto com a documentação do carro da família, no porta-luvas.

Ellen durante reconstituição do crime em agosto de 2016 – Foto: Banda B

Desaparecimento

Rodrigo teria sumido na manhã do dia 28 de julho e a esposa registrou Boletim de Ocorrência (BO) no dia 30, alegando que ele tinha saído de casa para resolver assuntos pessoais. A esposa do policial foi presa no bairro Tatuquara, em Curitiba, após perícia minuciosa feita dentro da residência da família que, por meio da substância química luminol, foi encontrado sangue humano no quarto e no banheiro.

A casa estava totalmente limpa e o produto reagiu ao composto quando analisado nos dois cômodos. Um serrote, também com marcas de sangue, foi encontrado dentro da casa. Rodrigo trabalhava na Secretaria de Segurança Pública do Paraná, setor de monitoramento de tornozeleira eletrônica.

Para o delegado responsável pelo caso, Fábio Amaro, não há dúvidas de que Ellen matou, serrou e enterrou o corpo do marido sem ajuda de terceiros. “É um apartamento muito pequeno, a modo de que se tivesse uma terceira pessoa seria facilmente vista pela criança. Não tenho dúvida alguma de que ela agiu sozinha”, disparou na época.

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