O júri popular do policial penal bolsonarista Jorge Guaranho, acusado de matar a tiros o tesoureiro do PT Marcelo Arruda, em Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná, foi adiado para o dia 4 de abril de 2024. O julgamento estava marcado para o dia 7 de dezembro deste ano, daqui a 8 dias. Guaranho responde por homicídio duplamente qualificado e está preso há pouco mais de um ano.

A decisão ocorre após a defesa do réu se manifestar contrária à inclusão de um laudo pericial no processo, uma vez que “não foi intimada nem tampouco participou da produção de provas nos autos”. Os advogados que representam Jorge Guaranho alegam ainda que a prova pericial em questão foi “produzida na surdina, ao arrepio dos princípios constitucionais da plenitude da defesa, ampla defesa e contraditório”.

A oito dias de acontecer, júri popular de bolsonarista acusado de matar tesoureiro do PT é adiado
O policial penal federal Jorge Guaranho – Foto: Arquivo pessoal

O laudo pericial se refere a elementos produzidos com base no celular de Claudinei Coco Esquarcini, que era responsável por operar o equipamento de vigilância do local onde Marcelo Arruda foi morto por Jorge Guaranho. Ele era responsável por fornecer as senhas de acesso das imagens registradas pelo circuito de monitoramento da Aresf (Associação Recreativa Esportiva Segurança Física de Itaipu) – onde Arruda comemorava seu aniversário de 50 anos quando foi morto.

Em agosto do ano passado, uma nova perícia foi anexada ao processo que apura a morte do tesoureiro. O laudo aponta que o alguém apagou os registros de acesso às imagens capturadas pelas câmeras dois dias depois de Marcelo Arruda ser assassinado. O crime aconteceu no dia 9 de julho, e os registros foram deletados no dia 11 de julho. Sete dias após os dados serem apagados, Claudinei Coco Esquarcini tirou a própria vida.

A oito dias de acontecer, júri popular de bolsonarista acusado de matar tesoureiro do PT é adiado
O guarda municipal e tesoureiro do PT Marcelo Arruda – Foto: Arquivo pessoal

“A defesa sequer teve acesso a qualquer documento inerente ao suicídio de Claudinei, ocorrido na cidade de Medianeira, muito menos ao conteúdo das mídias que foram inseridas no Laudo, não sendo concedido a defesa em momento algum a possibilidade de analisar a totalidade do conteúdo da prova, para verificação de outros dados importantes. […] O conhecimento da confecção da presente prova se deu tão somente com a juntada tardia às vésperas do Julgamento em Plenário, evidenciando prejuízo enorme a defesa, por desconhecer a origem da prova, bem como não poder se manifestar na forma prevista em lei”, alegou a defesa do bolsonarista.

Além disso, os advogados de Guaranho solicitaram que seja disponibilizado o celular aprendido de Claudinei para que a defesa possa “realizar comparativo com o laudo pericial apresentado”.

Na decisão de redesignação do julgamento, o juiz Hugo Michelini Júnior pede que a Vara Criminal da Comarca de Medianeira informe se o celular de Claudinei ainda está apreendido.

Defesa da família de Arruda

A Banda B procurou o advogado da família do tesoureiro Marcelo Arruda, Daniel Godoy Junior, que defendeu que o pedido da defesa do réu é uma tentativa de desqualificar a atuação do Ministério Público.

“O pedido da defesa que provoca o inesperado adiamento, revela tentativa de desqualificar a atuação do Ministério Público, o conjunto da legítima e cristalina produção de provas já colacionadas – todas desfavoráveis as teses defensivas – e uma expectativa de minar uma solução célere, almejada pela sociedade. A impunidade não é companheira da prestação jurisdicional eficiente, da segurança e da paz social que ocorrerá com um julgamento justo e isento como o que se constrói até aqui. Justiça para Marcelo Arruda, para seus filhos, familiares, amigos e para a sociedade de Foz do Iguaçu, sendo que esperamos que os verdadeiros causadores da violência política que ceifou sua vida sejam responsabilizados e paguem pelo crime cometido”, disse Junior.

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