O principal suspeito pela morte do mestre de obras Edson Amadeu Ferreira de Lima, de 61 anos, se apresentou à Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e prestou depoimento na tarde desta segunda-feira (28). Lucas Rodrigues, de 18 anos, é neto da esposa da vítima e alega legítima defesa, após uma discussão motivada pela orientação sexual dele. O crime aconteceu na noite da última quinta-feira (24), no bairro Tingui, em Curitiba.

Lucas Rodrigues, 18, e seu advogado, Elias Bueno, em entrevista à Banda B. Foto: Marcelo Borges/Banda B

De acordo com a delegada que investiga o caso, o jovem, de 18 anos, foi liberado após alegar legitima defesa. “O autor disse que a relação entre ele e a vítima era bastante conturbada e que brigas eram constantes”, afirmou a delegada Tathiana Guzella, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), em entrevista à Banda B.

Sobre o crime, o jovem teria relatado durante depoimento que chegou em casa e o mestre de obra teria o olhado “diferente”, conforme explicou a delegada. “A vítima teria o pego no peito, algo assim, e pedido alguma coisa”.

Após essa situação, ambos teriam entrado em luta corporal. Em meio à briga, os dois teriam olhado para uma faca que estava em cima da mesa. “O autor disse que foi mais rápido e que desferiu as facadas contra a região esquerda do corpo da vítima”, descreveu Guzella.

Em entrevista à Banda B antes de se apresentar à polícia, Rodrigues confirmou o golpe, mas alegou que fez a ação em legítima defesa. “Ele já tinha um histórico de assassinato e falava muito sobre mortes, que já matou. Eu tinha muito medo dele, mas muito medo mesmo. Então, naquela hora eu sabia que eu estaria morto se não reagisse. Ou até a minha vó porque se ele me matasse, ele teria que matar a minha avó também”, disse o jovem ao dar sua versão sobre o caso.

Segundo uma testemunha, o crime aconteceu por conta de uma suposta briga envolvendo o uso de álcool em gel entre o neto da esposa da vítima, a própria avó e Ferreira, na residência do casal. No entanto, o suspeito não falou sobre a situação e apresentou outro contexto para a reportagem.

Rodrigues é homossexual e garante ter sido perseguido por Edson. “Quando eu cheguei lá, ele começou a discutir comigo, por conta de namorado, ele não aceitava. A discussão ficou mais acalorada e quando ele olhou para a faca, ele já se acalorou. Nisto, que ele se levantou, ele já me agarrou, ele ia pegar a faca, mas eu peguei antes e dei um golpe nele para me defender”, reforçou.

 

Detalhes do antebraço de Lucas. Foto: Marcelo Borges/Banda B

 

Advogado

O advogado Elias Bueno, que defende Rodrigues afirma que o crime ocorreu em legítima defesa por conta do medo que sentia do histórico do vô, que já respondia por homicídio e possuía um histórico criminal.

“Nós entendemos toda a situação. Como nós não conseguimos o apresentar na última sexta-feira (25) à DHPP, nós iremos hoje. A ideia é esclarecer os fatos, mostrar que ele não está se eximindo da responsabilidade e ressaltar que ele não é esta pessoa que estão vendendo pelo fato dele ter matado vô. Porém, foi uma legítima defesa pura porque era ele ou era o senhor.  Infelizmente, teve este desfecho trágico que não era a intenção do Lucas, mas aconteceu”, lamentou.

Outro lado

Diante das declarações do advogado e do autor do crime, Hudson Amadeu Ferreira de Lima, filho da vítima ficou revoltado. Ele disse à Banda B que os erros cometidos pelo pai ficaram no passado.

“Sobre estas declarações que o Lucas diz na mídia, que o meu pai não prestava ou algo parecido, realmente, meu pai nunca foi um ‘santo’. Ele teve o passado dele, mas pagou na Justiça”, iniciou. Ele ainda rebateu a questão da perseguição por conta da homossexualidade. “Meu pai foi o primeiro a ajudá-lo e a apoiá-lo. Em tudo que ele precisava, meu pai sempre o tratou como um filho”, completou.

Agressões

O filho de Hudson negou veementemente qualquer forma de agressão que o pai poderia ter praticado. Hudson Amadeu Ferreira De Lima disse que nunca viu, presenciou e/ou ouviu situações como esta com a avó do suspeito. “Presenciei discussões e bate-bocas, mas nunca agressões. Com isto, pela forma que falam do meu, estão provando que só estavam ao lado dele por interesse naquilo que ele tinha”, atacou.

Tranquilidade

No fim, o Hudson disse que a família está com a consciência limpa porque o caso está nas ‘mãos da justiça’. “Eu e minhas irmãs sabemos o que aconteceu. Mentiras não vão levar a nada e espero que ele fique preso por um bom tempo”, concluiu Hudson à Banda B.

 

Foto: Daniela Sevieri/Banda B

 

Avó

Questionado se chegou a conversar com a avó depois da situação, Rodrigues revelou que sim, dias depois do fato. “Conversei com ela e pedi desculpas porque não era algo que queria que acontecesse. Pedi desculpas para todos, mesmo com as pessoas não entendendo porque ele era um homem muito agressivo. Porém, nunca vou achar certo tirar a vida de alguém. Infelizmente aconteceu esta tragédia”, pontuou.

No final, o garoto também afirmou estar arrependido pelo crime. “Estou em choque ainda e perplexo com tudo que está acontecendo, com esta repercussão. Estou bem perdido porque não é algo que quero para mim, nunca foi. Mas, aconteceu”, concluiu Rodrigues à Banda B.

Investigação

De acordo com a delegada da DHPP, o próximo passo é esperar o parecer psicológico da filha da vítima, de 7 anos, que presenciou todo o crime.

Ainda, serão analisadas imagens do circuito interno de segurança do condomínio que mostram o autor chegando em casa e a deixando. Inclusive há imagens do jovem entrando do elevador com as mãos ensanguentadas.