Por Felipe Ribeiro e Antônio Nascimento

Testemunha disse não ter entendido disparo (Foto: Antônio Nascimento – Banda B)

Minutos após deixar o trabalho em um restaurante do Centro de Curitiba, um jovem de 22 anos foi baleado ‘por acidente’ durante uma tentativa de abordagem da Polícia Militar. A situação aconteceu durante a tarde desta quinta-feira (3), no cruzamento das ruas Desembargador Westphalen e André de Barros, e um amigo da vítima disse não ter entendido o que aconteceu.

À Banda B, esse amigo relatou que retornava com a vítima para casa quando acabaram abordados por quatro policiais em uma viatura. “O disparo aconteceu logo depois da abordagem, não entendemos o que aconteceu. Se era uma abordagem, a gente pararia na hora. Ele então foi atingido no braço e eu quase fui preso por desacato porque fiquei nervoso”, disse.

Sem justificativa, os policiais isolaram a região e chamaram o Siate para atendimento da vítima. “Depois disso um pediu o meu documento. A única palavra que tive deles é o de que estava liberado”, lamentou o amigo.

A vítima mora em um pensionato localizado a cerca de uma quadra do local onde o disparo aconteceu. Ela foi encaminhada ao pronto-socorro.

A Banda B entrou em contato com a Polícia Militar, que enviou uma nota sobre o caso. Confira na íntegra:

Em relação ao lamentável caso de ferimento de um jovem em decorrência de disparo de arma de fogo havido durante abordagem policial, na Rua Desembargador Westphalen, no centro de Curitiba, o 12º Batalhão da PMPR informa que todas as providências legais e regulamentares com vistas ao pleno esclarecimento dos fatos, com imparcialidade e na busca da verdade, já foram adotadas, após o rapaz ter sido prontamente atendido pela equipe Policial Militar e pelo SIATE, sendo encaminhado ao Hospital Evangélico para atendimento.

O Batalhão informa ainda que já foi determinada a instauração de um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar os fatos e circunstâncias de envolveram os fatos, registrando-se que o Policial Militar responsável pela arma argumenta que não tinha a intenção de efetuar o disparo e que tal tiro ocorreu de modo acidental, salientando-se que a arma já foi apreendida e está sendo encaminhada à perícia junto ao Instituto de Criminalística para uma apuração plena, absolutamente isenta e pautada por provas periciais.

O Comando da PM destaca que só se admite a componente do uso de arma de fogo em condicionantes absolutamente protocolares e doutrinárias, quando justifica-se o uso da força para a legítima defesa do Militar ou de terceiros. Além disso, a corporação lembra que o disparo acidental não é querido por nenhuma das partes (nem PM e nem população) e que a Polícia Militar vai apurar, não só o esclarecimento perante esses fatos, mas também as circunstâncias que envolvam o aperfeiçoamento de protocolos para evitar situações futuras.