Jovem morto em operação no Parolin atirou contra policiais e liderava facção de tráfico de drogas, diz PM

Polícias Civil e Militar afirmam ter apreendido uma pistola de uso restrito com Yago Pires; família contesta versão

Redação

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O jovem Yago Pires, de 18 anos, estava armado com uma pistola de uso restrito, atirou contra os policiais e era um dos líderes de uma facção que comandava o tráfico de drogas no bairro Parolin, segundo as polícias Militar e Civil. O rapaz morreu baleado durante uma operação policial registrada nesta terça-feira (7) no bairro de Curitiba.

A Polícia Civil informou que a operação, que envolveu 94 agentes, faz parte de um trabalho iniciado há cinco meses, após confrontos entre facções e disparos que atingiram o edifício do Tribunal Regional Eleitoral (TRE). O delegado Osmar Antonio Dechiche afirmou que o jovem tinha passagens por roubo, furto e corrupção de menores. A polícia afirma que ele tem 20 anos, mas a família alega ser 18.

Yago Pires, de 18 anos, morreu durante uma operação policial no Parolin — Foto: Reprodução

“Lamentavelmente, houve a neutralização de um dos integrantes da facção, pessoa essa bastante familiarizada com o crime. Jovem, com 20 anos de idade, mas com três prisões e três solturas. Ele foi preso por roubo, furto e corrupção de menores. Hoje, estava liderando e integrando a facção, o crime de organização do tráfico de drogas”, disse o delegado.

Dechiche afirmou que uma pistola adaptada com rajadas e de alta letalidade foi apreendida com o jovem. Ninguém foi preso. Houve apenas apreensões de armas, drogas e dispositivos eletrônicos, que serão periciados.

O coronel Fávero, da Polícia Militar, reforçou que o jovem disparou contra os agentes e que o vídeo obtido pela Banda B mostra os policiais tentando puxá-lo para fora do local, mesmo já baleado, para evitar que ele continuasse armado e tentar preservar a vida do rapaz.

“No momento da abordagem, ele enfrentou e disparou contra os policiais. Para preservar as vidas dos policiais, houve a reação e a tentativa inclusive de tentar salvar a vida desse menino. Existe um vídeo circulando em que os policiais estão tentando puxar esse menino pra fora. Ele [Yago] está tentando, neste momento, buscar a arma”, afirmou o coronel.

Polícia esteve no bairro para cumprir 12 mandados de busca e apreensão — Foto: Djalma Malaquias/Banda B

De acordo com o policial, enquanto Yago era arrastado pelos policiais, ele tentava procurar a pistola entre as latinhas jogadas no chão. O vídeo que mostra os agentes o arrastando foi registrado por uma familiar. Segundo o coronel, “várias cápsulas” da arma que seria de Yago foram encontradas no local após o suposto confronto.

“Toda ação da Polícia Militar é pautada na legalidade e na resposta à ação do criminoso. Havendo a ação do criminoso contra a Polícia Militar, a PM preserva a vida dos policiais e a tendência é neutralizar o criminoso”, acrescentou Fávero.

De acordo com a PM, a avó do jovem já havia informado aos agentes que ele tinha envolvimento com crimes e homicídio. “É plenamente visível a ação do policial puxando ele após o confronto, tentando tirar ele daquela situação”, concluiu o coronel.

Polícia apresentou arma que teria sido apreendida com Yago Pires após a operação – Foto: Kainan Lucas/Colaboração/Ric RECORD

Família contesta confronto

A família de Yago Pires contesta a versão da Polícia Militar de que ele teria reagido à abordagem e se envolvido em um confronto. Segundo parentes, ele estava dormindo quando os policiais entraram na casa e o renderam.

As declarações foram obtidas pela Banda B após a reportagem ter acesso a um vídeo que mostra dois policiais militares arrastando Yago depois de ele ter sido baleado. As imagens foram registradas por uma testemunha. O rapaz aparece gritando enquanto pede para que os policiais parem com a ação. “Meu Deus do céu”, diz ele, chorando.

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“O vídeo mostra ele sem camisa, só de calção, descalço, porque ele tava dormindo. Como eles entram em uma residência com família e criança, e tiram alguém de dentro de casa dessa forma? Em nenhum momento ele reagiu. Tanto que a gente só sabia gritar”, afirmou à Banda B uma familiar de Yago.

Outra parente do rapaz também denunciou abuso por parte dos agentes. Em um áudio, a familiar diz ter sido impedida de prestar socorro ao jovem.

A Polícia Civil informou que agentes da corporação, além de policiais militares e guardas municipais, estiveram no bairro para cumprir 12 mandados de busca e apreensão e “localizar armas, drogas, munições e outros materiais ligados a práticas criminosas”. “As buscas acontecem em endereços previamente identificados durante as investigações”, explicou o órgão.

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