(Foto: Reprodução)

 

Uma história inventada. É o que está descrito no inquérito policial da Delegacia da Mulher sobre a denúncia de estupro contra uma jovem de 19 anos dentro do Campus da Universidade Positivo, em Curitiba, em abril do ano passado. Nesta terça-feira (9), a delegada Eliete Aparecida Kovalhuk , responsável pelo caso, confirmou que a estudante agora vai responder por falsa comunicação de crime. A jovem alegou questões financeiras e pessoais para mentir e mobilizar a polícia e colegas de universidade.

A delegada revelou que a jovem mobilizou dezenas de policiais para algo que nunca aconteceu. “Inicialmente, ela nos apontou o local em que o crime teria acontecido, mas começaram a surgir contradições, como por exemplo uma suposta mensagem de texto que a atraiu para o local do estupro, que sequer existiu.  Não havia provas e, a cada depoimento, isto ficou mais claro”, descreveu.

Em meio às contradições, a estudante acabou confirmando que mentiu sobre o estupro. “Ela tentou manter a mentira, porém as investigações fizeram com que ela confirmasse que nada aconteceu. A jovem inventou que teria sido abordada por dois homens e levada até um local abandonado, inclusive nos levando a fazer um retrato falado dos suspeitos”, contou a delegada.

Sobre o retrato falado, Eliete Kovalhuk disse que não houve dano a ninguém. “Diretamente, não houve dano. Um dos retratos ela disse que inventou de um filme e o outro seria de um homem que a teria ameaçado, porém nada acabou confirmado”, destacou.

À época do crime, estudantes chegaram a fazer passeatas por mais segurança no campus do Campo Comprido da UP. A justificativa para a mentira da estudante seria pessoal. “Ela alegou motivos pessoais e também uma questão financeira de fundo, por não ter condição de pagar a universidade e querer parar de estudar. Nós presumimos que a família não tinha mais condições de pagar o curso e ela mentiu para abandonar os estudos”, contou.

Ainda, a universitária alegou em depoimento que não tinha noção de repercussão que a denúncia teria. “Ela afirmou que não mediu estas consequências e não esperava tanta repercussão. Houve uma comoção muito grande por parte dos pais de estudantes e até medo de atos semelhantes”, ressaltou a delegada.

Denuncia

Segundo o relato à polícia, a estudante atravessava uma das passarelas do prédio quando foi atacada pelos homens. Eles taparam a boca da jovem e a levaram para uma região de mato. Lá ela disse que teria ocorrido estupro, sem ninguém presenciar o ato, relatou a estudante, que fez o exame de corpo delito duas semanas depois do crime. A demora para fazer a denuncia também foi um fato que chamou a atenção. “A nossa orientação é que a vítima sempre procure a delegacia imediatamente. A demora pode atrapalhar em vários sentidos”, concluiu a delegada Eliete Aparecida Kovalhuk.

Como não cabe prisão para o crime, a jovem responderá em liberdade a um inquérito por falsa comunicação de crime. Ela poderá ter que, no futuro, responder a processos por parte da UP.

Nota oficial da UP

“Diante do relatório final do inquérito divulgado pela Polícia Civil por meio da Delegacia da Mulher, que concluiu pela inexistência de crime em suas dependências, a Universidade Positivo (UP) demonstra sua satisfação por ter sido esclarecido o fato denunciado – confessadamente inverídico – e agradece o minucioso trabalho policial realizado, com o qual a UP sempre colaborou e colabora, com transparência e rapidez.

Informamos ainda que nosso foco continua sendo a prestação de todo o suporte à nossa comunidade, preservando os envolvidos e oferecendo a eles o atendimento necessário. A UP continuará a aprimorar as medidas de segurança em seus espaços, contando com a parceria do Comitê de Melhorias Estruturais da Universidade Positivo, do qual participam funcionários e alunos da instituição, assim como representantes da comunidade.”

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