A jovem de 24 anos, que foi flagrada por câmeras de segurança sendo agredida pelo marido no bairro Água Verde, em Curitiba, retirou a queixa contra ele na manhã desta segunda-feira (19). Nas imagens, é possível perceber o momento em que a vítima chega até mesmo a ser arrastada por um veículo Audi, mas em depoimento à Polícia Civil, ela afirmou estar arrependida da denúncia realizada contra o engenheiro civil na noite de domingo (18).

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O advogado da jovem, Alonso Nunes do Nascimento, explicou em entrevista à Banda B que ela se arrependeu da queixa e solicitou a suspensão da medida protetiva. “Arrependida do ocorrido, ela me procurou pela manhã e resolveu fazer a retratação. À escrivã, a jovem disse que o marido não oferece risco nenhum e que o calor da emoção levou a tudo isso. Ainda no depoimento, ela disse que os dois exageraram um pouco na bebida e que ela tentou segurar no veículo, momento em que aquilo ocorreu. Mas não houve agressão e ela vai fazer o exame de corpo de delito, muito mais num sentido de esclarecer tudo”, disse.

A agressão ocorreu no fim da noite deste domingo (18) e um engenheiro civil acabou preso em flagrante pelo crime. As agressões aconteceram próximo a uma casa noturna, na Avenida Iguaçu. Segundo testemunhas, o casal iniciou uma discussão ainda dentro do estabelecimento. O marido estaria discutindo com outra mulher e a esposa dele teria pedido que se acalmasse, iniciando a briga entre eles.

O porteiro de um edifício próximo contou à Banda B que, nesse momento, o marido estacionou em frente ao ponto de ônibus e começou a agredir a mulher. “A menina chegou no ponto de ônibus, mas logo depois parou na frente esse carro importado. O cara agrediu ela, jogou ela no chão, no jardim. Nisso, ela entrou no carro, mas parecia que estava pegando alguma coisa, ele ofendia ela bastante. Nesse momento, ele arrancou e quase passou por cima dela”, descreveu o porteiro, que não terá seu nome identificado.

Segundo Nascimento, porém, a vítima disse na delegacia que a discussão não chegaria até esse ponto sem interferência. “Na verdade, ela afirmou na delegacia que os fatos não teriam ocorrido assim sem a interferência de terceiros. Especificamente, ela acha que o porteiro e o vizinho fizeram muito barulho com o caso e deixaram a discussão mais acalorada”, concluiu o advogado.

Recorrente

De acordo com a advogada e psicóloga Deisy Maria Rodrigues Joppert, essa mudança de ideia por parte das vítimas não é nenhuma novidade. Segundo ela, as mulheres devem estar atentas a todos os sinais. “A gente tem que entender que a violência doméstica é um ciclo, ninguém começa de cara jogando a vítima de um carro ou matando. Geralmente a violência começa com algumas restrições, que às vezes são vistas como um ciúme mais exacerbado. Posteriormente, quando acontece, o agressor passa a ficar mais carinhoso e dá uma sensação de que aquilo nunca mais irá ocorrer, mas só até acontecer de novo”, explicou.

Mesmo com a retirada da queixa, o Ministério Público do Paraná (MP-PR) pode oferecer denúncia contra o agressor se entender que há elementos necessários para isso.