A operação deflagrada nesta quarta-feira (19) pela Polícia Civil e pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) contra uma quadrilha suspeita de enviar drogas do Paraná a outros estados tem como alvo um jornalista premiado e um policial civil. Pelo menos 92 mandados judiciais contra a organização criminosa responsável por distribuir drogas do Paraná para Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pernambuco e Rio Grande do Sul foram cumpridos.

De acordo com a corporação, o policial civil lotado no estado de São Paulo chegou a ser suspenso na primeira fase das investigações em torno da quadrilha, mas agora teve sua prisão preventiva decretada.

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Foto: Divulgação/PCPR

Já o jornalista premiado citado pela polícia é proprietário de jornal digital no Rio de Janeiro. Embora a identidade dele não tenha sido revelada, ele é suspeito de ser o responsável pela contabilidade e gerência das contas bancárias.

Conforme apurado, os chefes da organização criminosa ostentavam padrão de vida elevado, com apartamentos e casas milionárias, viagens, carros luxuosos e veículos aquáticos. Em quatro anos, a organização movimentou mais de R$ 100 milhões por meio de dinheiro em espécie e transações bancárias feitas em contas de “laranjas” e testas de ferro, muitas delas empresas de fachada criadas apenas para movimentar o dinheiro advindo da atividade criminosa.

A operação

Entre os mandados estão 11 de prisão preventiva e 27 de busca e apreensão em endereços ligados aos suspeitos. Além disso, foram solicitados à Justiça 37 bloqueios de valores em contas bancárias e 17 medidas cautelares sobre automóveis. Os indivíduos são suspeitos de organização criminosa, tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e associação para o tráfico.

A ação aconteceu simultaneamente em dez municípios de cinco estados: Toledo, Cascavel, Pato Bragado, Marechal Cândido Rondon, Capitão Leônidas Marques e Capanema, no Paraná; Balneário Camboriú, em Santa Catarina; Ribeirão das Neves, em Minas Gerais; e nos municípios de São Paulo e Rio de Janeiro. Participam da ação mais de 180 policiais.

Além da PCPR e do Gaeco, a operação contou com o apoio das polícias civis do Rio de Janeiro e de Minas Gerais, da Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo e do Gaeco de Santa Catarina.

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Foto: Divulgação/PCPR

Como um dos alvos tem naturalidade paraguaia e pode estar naquele país, também participaram da operação a Polícia Federal atuante em Assunção no Paraguai e o Centro Integrado de Operações de Fronteira (CIOF) de Foz do Iguaçu.

Na primeira fase da operação, deflagrada em agosto de 2023, foram presas 15 pessoas, apreendidas 11 armas de fogo e sequestrados aproximadamente R$ 25 milhões em bens móveis, imóveis e dinheiro.

A investigação de alta complexidade, iniciou-se em março de 2023, com a apreensão de cerca de duas toneladas de maconha em um fundo falso de caminhão frigorífico.

Após a ação, foi identificado o local onde a droga seria armazenada e, durante cumprimento de mandado de busca e apreensão, a PCPR localizou um segundo caminhão frigorífico com fundo falso, grande quantidade de munição de fuzil e um bunker, sob um chiqueiro de porcos, onde o entorpecente era armazenado.

A investigação da PCPR apontou que a distribuição do entorpecente era feita por meio de caminhões frigoríficos, escolhidos pela dificuldade de fiscalização destes, já que o rompimento do lacre pode comprometer o produto.

A policia apurou que os indivíduos mascaravam os valores oriundos do comércio de drogas por meio da aquisição de bens móveis, imóveis e ouro.

Em Marechal Cândido Rondon, dois dos investigados foram alvos de diversos disparos de arma de fogo no dia 29 de maio de 2024, resultando na morte de um deles e em ferimentos graves no outro, que é o policial civil de São Paulo.

Os autores, também investigados, foram presos logo após o homicídio. O crime foi motivado por desacerto entre os membros da organização, que foi parcialmente esfacelada com a prisão de seu líder, em agosto de 2023.

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Jornalista premiado e policial civil estão entre alvos de megaoperação contra tráfico de drogas, diz polícia

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