A farmacêutica Daniele Stuart comentou denúncias policiais feitas contra si sobre um suposto uso ilegal da prática de peeling de fenol ao dizer que está apta a trabalhar com o químico e detém o direito de ensinar a técnica de manuseio. Isso aconteceu após a Polícia Civil de São Paulo, representada pelo delegado Eduardo Luis Ferreira, solicitar à Polícia Civil do Paraná que investigasse a possibilidade de exercício ilegal da medicina por parte da bioquímica.

Ela é dona de uma clínica em Curitiba e oferece cursos sobre o procedimento. Um deles chegou a ser realizado pela Natalia Becker, influencer acusada de causar a morte do empresário Henrique Silva Chagas, de 27 anos, usando o produto. A declaração foi dada ao lado do advogado Jeffrey Chiquini, que a representa, durante entrevista feita na tarde desta terça-feira (11).

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Dona de clínica em Curitiba cita conselho regional e diz ser apta a trabalhar com peeling de fenol. Foto: Eliandro Santana/Banda B

Daniele argumentou que, conforme resolução do Conselho Federal de Farmácia de maio de 2013, está habilitada a realizar e ensinar sobre peelings químicos e mecânicos. “Segundo meu conselho de classe, eu posso sim estar atuando com peelings químicos”, iniciou. 

A farmacêutica também esclareceu que, apesar de seus cursos serem livres e abertos a todos, há uma especificação clara em sua página de internet e automações de Instagram sobre o público-alvo: profissionais habilitados por seus respectivos conselhos de classe. A dona da clínica detalhou que o curso é destinado a farmacêuticos, biomédicos, enfermeiros, dentistas e fisioterapeutas, entre outros profissionais da saúde.

A controvérsia surgiu após a repercussão do caso de Natália Becker, que supostamente não seguiu o protocolo ensinado por Daniela e realizou o procedimento sem a devida habilitação, levantando questões sobre a segurança e legalidade da prática. Ela defendeu que a influencer não seguiu seu protocolo e que sua clínica e cursos enfatizam a importância da integridade da pele e dos cuidados específicos na aplicação do fenol.

Meus alunos estão indignados com o ocorrido e todos estamos sendo lesados pelo fato que aconteceu. Queria deixar aqui meus sentimentos pela família, jamais tive a intenção de ocasionar nenhum dano. Vim aqui à imprensa para poder esclarecer os fatos e dizer que Natália não é habilitada, Natália não seguiu o meu protocolo e é injusto o que está acontecendo, vincular minha imagem a uma pessoa que ocasionou tanta dor.

Daniele Stuart, dona de clínica em Curitiba

O caso

Henrique Silva Chagas morreu no último dia 3 de junho, em São Paulo, logo após ser submetido ao tratamento com peeling de fenol. Apesar de se apresentar como esteticista, a responsável pelo procedimento, Natalia Becker, não tem registro na Associação Nacional dos Esteticistas e Cosmetólogos (Anesco) para atuar na área.

Jeffrey Chiquini destacou que a farmacêutica Daniele Stuart não tinha contato com Natália, já que milhares de pessoas têm acesso ao curso online.

“Afirmamos que em momento algum a doutora Daniele teve contato com essa pessoa que é acusada de autoria de homicídio. A doutora Daniele em momento algum ensinou essa senhora a realizar procedimentos invasivos, não a instruiu a agir como fez. Inclusive, os procedimentos que aquela senhora adotou não condizem com aquilo que a doutora Daniele ensina”, pontuou.

O advogado ressaltou, ainda, que a cliente dele não conhecia a vítima e sequer sabia como a técnica estava sendo aplicada pela falsa esteticista.

“Doutora Daniele não teve contato com a vítima. Não há nexo causal algum a vincular doutora Daniele a esse homicídio. É muito injusto o que está sendo feito com a imagem e a reputação de uma profissional respeitada no sul do país, que instrui e orienta milhares de alunos a agir de forma correta. A doutora Daniele não participou do procedimento realizado, não teve acesso ao procedimento realizado”, finalizou.

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Investigada, dona de clínica em Curitiba cita conselho regional e diz ser apta a trabalhar com peeling de fenol

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