Um homem, de 47 anos, morreu após ser abordado por seguranças das rodoviária de Curitiba (PR) na madrugada da última segunda-feira (4). O episódio foi registrado em vídeo por uma testemunha e divulgado nas redes sociais.

Nas imagens, Anderson Veiga aparece de bruços sobre a grama e sendo imobilizado pelos seguranças. Ao menos três homens tentam impedir que Anderson se levante enquanto um fiscal da Urbanização de Curitiba (Urbs) — empresa responsável pela administração da rodoviária — observa.

“Se o cara aparecer morto aí foi os cara que mataram [sic]”, diz a testemunha que gravou o vídeo da abordagem. “Se batendo… Os cara enforcando o brother”, prossegue.

Um dos seguranças parece apoiar o joelho sobre o corpo de Anderson, que continua se debatendo no chão. A pessoa que fez a filmagem afirma, em certo momento, que a ação já durava mais de 20 minutos.

“Os cara matou o mano ali, ó. Agora, tão tentando reanimar o cara [sic]”, diz o homem enquanto filma um dos envolvidos fazendo manobras de reanimação na vítima. Neste momento, agentes da Guarda Municipal são vistos ao lado de Anderson.

Segundos depois, socorristas do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) aparecem tentando reanimar Anderson. “O grandão ali, ó… Pisou na cabeça do cara, enforcou e agora tá aí”, diz a testemunha.

Em entrevista à Banda B, o delegado responsável pelas investigações afirmou que Anderson não morreu em decorrência da abordagem nem foi agredido pelos seguranças. Disse também que a vítima foi retirada à força de dentro da rodoviária por “incomodar os passageiros” e que o laudo do IML (Instituto Médico Legal) apontou que a morte foi causada por enfarte.

“Ele não foi à óbito por causa dos seguranças. Ele enfartou. Pelas imagens, não teve nenhuma agressão nem lesão no corpo da vítima. Os funcionários [da rodoviária] disseram que ele estava bem alterado, dizendo que alguém queria matá-lo e que ele estava sendo perseguido”, afirmou o delegado Thiago Teixeira.

Homem morre em abordagem de seguranças da rodoviária de Curitiba
Foto: Reprodução/@nucleoperiferico no Instagram

A Polícia Civil já ouviu um dos seguranças envolvidos no episódio, e pelo menos mais um deve prestar depoimento nos próximos dias. Outras testemunhas também darão esclarecimentos.

Procurada pela reportagem, a Urbs disse lamentar o caso e alegou que está colaborando com as investigações. Além disso, instaurou um processo administrativo para apurar a conduta dos seguranças terceirizados e pediu o afastamento imediato deles. Veja a nota na íntegra abaixo:

“A Urbanização de Curitiba (Urbs) lamenta profundamente o ocorrido na Rodoviária na madrugada do último dia 4/12 e está colaborando com a Polícia Civil para investigação. A Urbs repudia de maneira veemente qualquer tipo de violência e não medirá esforços para a rigorosa apuração dos fatos. Também informa que instaurou um processo administrativo junto à empresa terceirizada que faz a segurança no local para apurar responsabilidades e pediu o afastamento imediato dos seguranças envolvidos no caso.”

A Banda B também entrou contato com a empresa responsável pelos seguranças, que também informou estar colaborando com as investigações. Leia o comunicado abaixo:

“O GRUPO INTERSEPT confirma sua total colaboração com as autoridades em relação à investigação em andamento sobre o fato ocorrido na Rodoviária de Curitiba em 03/12/2023. A empresa está comprometida em oferecer total transparência e apoio às investigações para esclarecer os fatos e cooperar com as autoridades competentes.

Reforçamos nosso compromisso com a integridade e respeito às leis e reiteramos nossa disposição em contribuir ativamente para a elucidação deste assunto.

O GRUPO INTERSEPT se solidariza com os familiares e amigos do falecido.”

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Homem morre em abordagem de seguranças da rodoviária de Curitiba: ‘Não houve agressão’, diz delegado

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