O Tribunal do Júri de Curitiba condenou Elias de Souza Cordeiro a 39 anos e 11 meses de prisão pelo assassinato brutal da esposa Angélica Moreira dos Santos, morta a facadas em novembro de 2023, na frente do filho de apenas 8 anos. O julgamento, marcado pela dor da família e pela lembrança dos detalhes trágicos do crime, terminou nesta quinta-feira (21), com a condenação máxima, incluindo ainda a tentativa de homicídio contra o cunhado.

Durante a sessão, a irmã de Angélica, Tatiane Moreira dos Santos Gonçalves, não conteve a emoção ao falar da condenação.
“Foi bem intenso esse julgamento, porque ele queria negar de todas as formas que tinha cometido o crime e ainda queria acusar que ela, que queria matar ele. Mas Deus é bom e viram o que ele fez, matou, porque todas as provas estavam ali”
disse Tatiane Moreira dos Santos Gonçalves, irmã de Angélica.
Para a família, o desfecho foi um alívio depois de tanto tempo de espera e de luta por Justiça.
“Ele pegou a pena máxima, mais um terço. Então, assim, o final foi muito bonito, porque eles entenderam. A gente tá aliviado, podemos seguir em paz e minha irmã vai descansar em paz e vai ter a justiça digna. Eu sabia que a morte dela não ia ser em vão, porque a gente lutou de todas as formas pra isso acontecer”
completou Tatiane.
Condenação exemplar
O advogado da família, José Valdeci de Paula, destacou que a decisão foi unânime e que não havia outra possibilidade diante das provas.
“Não teria outra possibilidade. O conselho de sentença entendeu que ele foi o autor do feminicídio em face da sua esposa e que também foi autor de uma tentativa de homicídio em face do seu cunhado, que tentou interferir naquele momento trágico. E por fim, condenou ao crime de dano. Todos esses crimes que foram citados, era a pretensão da acusação”
explicou o advogado José Valdeci de Paula.
Segundo o advogado, embora a família tenha ficado satisfeita com o resultado, o julgamento reabriu feridas dolorosas.
“A família ficou satisfeita, porém, feridas foram abertas. Momentos tiveram que ser revistos em plenário, onde gerou muita tristeza por parte da mãe, da irmã, dos filhos, mas necessário para que o conselho entendesse”
completou.
A Banda B não conseguiu localizar a defesa de Elias para comentar sobre o julgamento. O espaço fica aberto e, caso haja contato, a reportagem será atualizada.

Crime que chocou
Na noite do assassinato, Angélica, de 30 anos, participava de um churrasco com o marido quando começaram as discussões. Em casa, o crime aconteceu de forma brutal: Elias trancou a esposa, atacou com uma faca e só não matou o filho porque a vítima conseguiu colocá-lo para fora pela janela. O irmão de Angélica também foi ferido ao tentar salvar a jovem.
Elias foi preso logo após o crime, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), depois de capotar o carro durante a fuga. Ele confessou o assassinato e permanece detido na Casa de Custódia de Piraquara.
Histórico de violência também fazia parte da vida de Angélica. Segundo a família, o agressor já havia sido preso por espancá-la e chegou a ameaçar que a mataria quando fosse solto — promessa que cumpriu meses depois. Com a condenação, a família afirma que, mesmo diante da dor que nunca vai passar, pelo menos a Justiça foi feita.