(Fotos: Reprodução/Facebook)

 

O homem suspeito de matar a ex-namorada Rosemare Aparecida Neves, de 43 anos, disse à polícia que cometeu o crime depois de uma discussão por causa de mensagens que ela recebeu no celular. A mulher foi asfixiada dentro de um quarto de hotel na Rua Pedro Ivo, no Centro de Curitiba, no dia 21 de março deste ano.

Emerson Rodrigo Von Schmidt, 39, foi detido na última terça-feira (7) em Santa Rita do Passa Quatro (SP), na casa da atual companheira, onde estava escondido. Após a prisão, a polícia encaminhou o suspeito até a Delegacia da Mulher de Curitiba, responsável pelas investigações.

Segundo a delegada Eliete Kovalhuk, durante o interrogatório, Emerson falou que ficou nervoso quando viu algumas mensagens no celular da vítima. “Os dois estavam no quarto de hotel e ela foi tomar um banho. Nisso, ele mexeu no aparelho dela e viu recados deixados por duas pessoas com quem ela teria se relacionado no passado. O suspeito, então, foi tirar satisfações e houve uma discussão, na qual ela o xingou de ‘chifrudo’ por três vezes. Ele alegou que isso o deixou com raiva”, relatou ela em entrevista à Banda B.

(Foto: Divulgação/Polícia Civil)

Após a briga, Emerson jogou a vítima na cama e a segurou pelo pescoço, causando a asfixia. “Ele falou que não tinha a intenção de matar, mas não fez nada que pudesse evitar a morte. O laudo do Instituto Médico Legal, inclusive, atestou que Rosemare morreu por asfixia mecânica. Esse é mais um caso de feminicídio, em que o homem não aceita a liberdade da mulher”, completou a delegada.

Preso em São Paulo

Um dia depois de matar Rosemare, o suspeito juntou algumas roupas e caminhou até o estado de São Paulo. De lá, pegou carona até Santa Rita do Passa Quatro, onde fica a casa da atual namorada. “Após cinco dias andando, ele fez contato com essa companheira, que ele disse que já conhecia, pedindo abrigo, e ela concedeu. Para a polícia, no entanto, ela negou que o conhecia. Ele estava sem documentos e dinheiro e se apresentava como ‘Marcos dos Santos'”.

Bastante ativo nas redes sociais, o suspeito postava várias fotos com a companheira na cidade paulista, um dos detalhes que ajudou a polícia a chegar até ele. A mulher declarou que não sabia do assassinato de Rosemare e que Emerson estava escondido, mas isso ainda deve ser apurado pela polícia. Se for comprovado que tinha conhecimento de tudo, ela deve responder por favorecimento pessoal.

Relacionamento conturbado

De acordo com a delegada, familiares e amigos da vítima informaram que Emerson e Rosemare não tinham um relacionamento público. Morador de São Paulo, ele veio para Curitiba em novembro do ano passado, dois meses depois de conhecer a vítima pelas redes sociais. O suspeito passou a trabalhar como auxiliar de serviços gerais e a morar em uma chácara perto da região do zoológico.

“Os dois não moravam juntos, mas ela frequentava a casa dele. Apesar disso, ele não foi apresentado para a família. Temos indícios de que ele já era agressivo com ela e que, em pelo menos duas situações, Rosemare foi agredida e ameaçada de morte. Ele negou tudo isso, alegou que o namoro deles era público e que não teria admitido uma traição”, explicou a delegada.

Rosemare não chegou a registrar Boletim de Ocorrência contra o companheiro. “Ela não o denunciou formalmente, o que temos são relatos de conhecidos. Por isso é importante fazer o registro, que para nós significa estabelecer uma forte linha de investigação, que avalia a conduta do agressor. Sem isso, ficamos apenas com prova testemunhal, que pode possuir contradições”.

Antecedentes

Emerson não tinha antecedentes criminais. Ele deve responder por feminicídio e também por um roubo que cometeu em São Paulo, há cerca de duas semanas.

Não há um laudo conclusivo que mostre que Rosemare sofreu violência sexual no dia do crime. Houve, no entanto, a comprovação de que havia sêmen no corpo da vítima. O suspeito nega que manteve relações com ela na ocasião.