Um homem frio que não demonstra nenhum arrependimento. Assim a delegada Sandra Nepomuceno descreve José dos Santos Capato, de 65 anos, que confessou ter jogado combustível e ateado fogo na namorada Francisca dos Santos, de 66 anos, que morreu logo depois no hospital. Capato foi preso na casa de um sobrinho no dia seguinte ao crime, ocorrido em Matinhos, no litoral do Paraná, na madrugada de terça-feira (31).

“Foi um crime bastante cruel. Ele é um homem frio, sem nenhum arrependimento. Ele só repete o tempo todo que ouviu falar que ela tinha um amante, como se isso justificasse o absurdo que fez”, contou a delegada sobre o caso de feminicídio.

Francisca foi morta após ter o copro incendiado pelo namorado – Reprodução Facebook

Segundo a polícia, o suspeito foia té a casa de Francisca já com combustível que tinha em casa para colocar no cortador de grama, seu instrumento de trabalho. “Provavelmente, ela estava descansando no sofá quando ele chegou e já atirou o combustível sobre ela e imediatamente ateou fogo. Pela cena do crime, a vítima não teve chace de reação”, completou a delegada Nepomuceno.

Francisca foi socorrida por vizinhos e levada ao Hospital em Paranaguá. Ela teve 80% do corpo queimado e morreu nesta quarta-feira (1º). A vítima era camareira do Sesc, mas estava afastada tratando de uma lesão.

Segundo a delegada, o casal estava junto há quatro ou cinco meses e não havia registro de Boletim de Ocorrência por agressão. “Os filhos do suspeito ficaram surpresos com a atitude do pai. Eles foram ouvidos, assim como outras testemunhas e a prisão preventiva já foi decretada”, disse a delegada.

Sofá onde Francisca estava na hora do ataque – Foto: Colaboração Banda B

Não foi a primeira vez

A delegada Sâmia Cristina Coser, da Delegacia da Mulher do Paraná, também falou sobre o caso e disse que Capato já havia ficado preso anos atrás durante oito dias, também por agressão a uma companheira.

“Ele já tinha histórico de agressão contra uma ex-mulher, hoje falecida por causas naturais. Ele ficou preso por oito dias por esta agressão e vale questionarmos se não foi oferecido nenhum tratamento para este homem, que saiu de um relacionamento abusivo e continuou com as mesmas práticas”, afirmou a delegada Sâmia.

“Se a mulher perceber que o relacionamento é abusivo se afaste já no começo porque a tendência é só piorar. Ele já tinha ciúmes, já demonstrava raiva em discussões e também que sentia dono dela, como um objeto que pertencesse a ele. Quando imaginou que ela estivesse com outro, achou que teria direito de matá-la”, completou.

Trabalho integrado

De acordo com o delegado coordenador da Operação Verão, Gil Rocha Tesserolli, o trabalho integrado ajudou a solucionar este crime rapidamente.

“O trabalho conjunto aqui no litoral da Polícia Militar, que fez a prisão, da Polícia Civil, que instaurou o inquérito, e do Judiciário, que decretou a prisão preventiva, fez com que um crime cometido no dia 31 já tivesse a prisão no dia 1º. Tudo rápido e eficaz”, afirmou.

Segundo o Major Romão, da Polícia Militar do Paraná, o suspeito não resistiu á prisão. “Ele não ofereceu resistência,  mas tentou negar o crime no primeiro momento. Porém, diante das evidências, acabou assumindo”,  disse o major.

A casa de madeira, onde estava Francisca, foi completamente destruída. O incêndio foi controlado por vizinhos.

O responsável pelo ataque está preso e deve responder por feminicídio.