Um frentista foi agredido com um soco por um cliente em um posto de combustíveis, na última terça-feira (25), no bairro Novo Mundo, em Curitiba. A agressão foi registrada por uma câmera de segurança do estabelecimento. As imagens, segundo o advogado que acompanha o caso, contradizem a versão apresentada pelo motorista no boletim de ocorrência.
O caso aconteceu no Auto Posto Querubim, na rua Isaac Guelmann. De acordo com o boletim obtido pela Banda B, o episódio começou durante o abastecimento de GNV (Gás Natural Veicular), quando o frentista teria pedido ao cliente o selo do Inmetro, que é uma exigência obrigatória para liberar o abastecimento. O motorista teria se irritado com o pedido e discutido com o funcionário.

O selo em questão é emitido após a instalação do kit GNV e a inspeção de segurança veicular, comprovando que o sistema foi instalado por uma oficina credenciada e atende às normas de segurança. A perda do selo pode impedir o abastecimento e a fiscalização pode gerar multa.
Segundo o relato do cliente à polícia, outro funcionário o atendeu depois, ele apresentou o certificado e o abastecimento foi liberado. O frentista, Raimundo da Silva, continuou o serviço e, conforme essa mesma versão, teria xingado o motorista e fechado o capô do veículo de forma ríspida. O frentista afirma que, neste momento, o motorista partiu para cima dele e o golpeou com um soco.
No boletim, o cliente afirmou que Raimundo teria pego uma barra de ferro, avançado em sua direção e sido contido por outros funcionários. O advogado Igor José Ogar, que representa o frentista e o sindicato da categoria, diz que as imagens comprovam que as alegações do suspeito são falsas.
“Temos duas alegações falsas no boletim: a de que ele não agrediu o frentista e a de que o trabalhador teria se armado com uma barra de ferro. Nenhuma das duas aparece no vídeo”, afirmou o advogado. “Nos deparamos mais uma vez, infelizmente, com um ato extremamente covarde contra um trabalhador, contra um frentista. Temos observado noticiários e ocorrências de casos de injúria racial, de racismo, de lesão corporal, de ameaça e até de homicídio. Isso parece não ter fim. Precisamos de legislação e precisamos mudar o aculturamento dos clientes”, acrescentou.
Um vídeo enviado pelo cliente à Banda B, porém, mostra Raimundo com uma barra de ferro nas mãos e sendo contido por colegas de trabalho (assista abaixo). A gravação não foi disponibilizada com áudio.
O Sindicato dos Frentistas (Sinpospetro) divulgou nota afirmando que acompanha o caso e que vai prestar assistência jurídica ao trabalhador. A entidade disse repudiar “mais um caso de agressão contra trabalhador frentista em seu local de trabalho” e declarou ter pedido as imagens para identificação completa do agressor.
“O sindicato foi acionado e o departamento jurídico da entidade imediatamente adotou as medidas cabíveis para enfrentar mais esse caso de agressão. […] Mais uma vez clamamos: basta de agressões, queremos trabalhar e ganhar o pão nosso de cada dia em paz!”, disse a entidade.
O que diz o cliente
O motorista envolvido na confusão afirmou à Banda B que sempre abastece no posto porque mora próximo ao local e que já teria sido tratado com rispidez anteriormente pelo frentista Raimundo. Segundo ele, o funcionário “não respondia sequer bom dia” em outras ocasiões.
No dia da agressão, relata que o frentista pediu o documento do Inmetro logo na chegada, e que informou não estar com o documento no carro, mas que poderia buscá-lo em casa e que tinha o certificado da revisão do GNV feita há menos de 20 dias. De acordo com o cliente, Raimundo respondeu: “Eu não pedi isso, eu quero do Inmetro”.
O motorista afirma que contestou a forma como estava sendo tratado e ouviu do frentista: “Problema seu, reclame com o gerente”. Ele então foi ao caixa, onde o gerente teria analisado o documento da revisão e autorizado o abastecimento. Segundo o relato, Raimundo abriu o capô “resmungando” mesmo após a autorização.
Ainda conforme o cliente, ele perguntou a outro consumidor se estava sendo tratado da mesma forma e, nesse momento, o frentista teria passado a ofendê-lo com xingamentos como “vai tomar no cu”, “pau no cu” e “filho da puta”.
O motorista diz que caminhou na direção de Raimundo para questionar as ofensas e percebeu o frentista se preparando para desferir um soco, motivo pelo qual se antecipou e golpeou primeiro. Ele declara que não continuou a agressão ao perceber que o funcionário não reagiu.
O cliente também afirma que, enquanto conversava com o gerente para relatar o ocorrido, o frentista teria tentado pegá-lo por trás com uma barra de ferro, mas foi contido por outros trabalhadores.
Ele relata ainda ter ouvido funcionários comentando “quero ver esse marginal correr agora” quando a polícia se aproximava. Por fim, agradeceu ao gerente, que classificou como educado e gentil durante toda a situação, e disse lamentar o ocorrido.