Um dia após o assassinato da freira Nadia Gavanski, de 82 anos, o governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), usou as redes sociais para criticar a legislação penal brasileira e defender mudanças no modelo atual. A religiosa foi morta asfixiada por um homem que invadiu o convento no último sábado (21), em Ivaí, nos Campos Gerais do Estado.
“É urgente que Estados possam ter autonomia para legislar em matéria penal. Lei fraca, criminoso forte. As famílias brasileiras não podem continuar reféns desses marginais”, escreveu o mandatário. Segundo o governador, o suspeito do crime deixou a cadeia em dezembro do ano passado e tem várias passagens pela polícia. “Voltou às ruas e cometeu uma tragédia”, acrescentou o governador.

Na prática, Ratinho Jr. defende que os próprios estados possam criar ou até endurecer leis relacionadas a crimes. No Brasil, a legislação sobre direito penal é feita exclusivamente pelo Congresso Nacional. Para ocorrer uma mudança, é necessário que a Constituição Federal seja alterada.
Freira é assassinada
De acordo com a Polícia Civil, Nadia Gavanski foi morta asfixiada por um homem, de 33 anos, que invadiu o Convento das Irmãs Servas de Maria Imaculada no sábado. O suspeito foi preso em flagrante pelo homicídio.
A Polícia Militar (PM) foi a primeira a chegar ao local. A idosa foi achada caída no chão, sem algumas peças de roupas e com sinais evidentes de agressão física.
Uma testemunha, fotógrafa que registrava um evento no convento, foi abordada pelo suspeito logo após o crime. O homem apresentava sinais de nervosismo, roupas sujas de sangue e arranhões no pescoço. Inicialmente, alegou que trabalharia no convento e que teria encontrado a vítima já caída e desfalecida.

“Desconfiando da narrativa, a testemunha registrou de forma discreta parte da interação e solicitou apoio a outros presentes para acionar ambulância e a PMPR. Neste intervalo, o autor deixou o local”, disse a Polícia Civil, em nota.
Com base nas filmagens gravadas pela testemunha, o suspeito — já conhecido por ter antecedentes criminais de roubo e furto — foi identificado. Os agentes foram até a casa do suspeito, que, ao notar a presença deles, tentou fugir. O homem foi contido após resistir à prisão, com socos e chutes.
Na delegacia, o suspeito confessou o crime e revelou que havia passado a madrugada consumindo crack e bebidas alcoólicas. Segundo a Polícia Civil, ele também alegou ter ouvido vozes que o ordenaram matar alguém, “razão pela qual pulou o muro do convento com a intenção de tirar a vida de uma pessoa.”
“Ao avistar a vítima, esta o questionou sobre sua presença ali e ele respondeu que trabalharia no convento. Percebendo que a religiosa não acreditou na explicação, o autor afirmou tê-la empurrado, fazendo-a cair ao solo, momento em que ela começou a gritar. Declarou ter colocado os dedos da mão direita dentro da boca da vítima, promovendo asfixia”, informou a polícia.
Ele negou ter golpeado diretamente a cabeça da freira, embora tenha admitido que ferimentos cranianos possam ter ocorrido durante a queda. Negou, ainda, qualquer ato de violência sexual contra a vítima ou intenção de subtrair objetos.
“Ao constatar que a vítima não reagia, afastou-se do local e aproximou-se de frequentadores do convento, reiterando que trabalharia ali e informando ter encontrado a religiosa caída.”
Uma das irmãs do convento relatou, em depoimento prestado na delegacia, que a vítima, após o almoço, tinha o hábito de ir até o local do crime para alimentar galinhas.
O homem preso deverá responder por resistência à prisão e homicídio com as seguintes qualificadoras: motivo fútil, asfixia e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima.
A Polícia Civil investiga se a freira foi violentada sexualmente. “Até o momento, não há indícios de intenção prévia de subtração de objetos, possibilidade que também permanece sob investigação”, disse.