Imagens de câmeras de segurança de um shopping em Foz do Iguaçu flagraram as agressões cometidas por um homem de 33 anos contra duas mulheres muçulmanas dentro de uma loja, na tarde da última quinta-feira (12).

Nas gravações, o suspeito aparece entrando no estabelecimento e iniciando uma discussão verbal com as vítimas. Em seguida, ele parte para a agressão física contra uma das mulheres com socos. A segunda tenta intervir e também passa a ser atacada. Durante a ação, o homem arranca o hijab, véu islâmico usado como expressão de fé religiosa, de uma das vítimas.
Pessoas que estavam próximas acionaram os seguranças do shopping. Com a chegada da equipe, o agressor levantou os braços e deixou a loja, sendo contido do lado de fora por testemunhas até a chegada da polícia.
As duas mulheres, uma libanesa e outra síria, integrantes da comunidade árabe da cidade, sofreram ferimentos leves e receberam atendimento médico.
Suspeito já possui histórico de ataques discriminatórios
O suspeito foi preso em flagrante por lesão corporal e racismo. Segundo a polícia, ele já possui histórico de ataques discriminatórios. Após audiência de custódia, a Justiça converteu a prisão em preventiva.
Em depoimento, o homem afirmou ser diagnosticado com transtorno do espectro autista e relatou uso de medicação psiquiátrica. A família apresentou relatório psicológico indicando que ele pode apresentar comportamento agressivo em situações de estresse. No entanto, conforme decisão judicial, o próprio médico informou que o suspeito abandonou o tratamento em janeiro.
Casos de intolerância religiosa podem ser enquadrados como crime de racismo e prevê pena de dois a cinco anos de prisão.
Comunidade islâmica lamenta fato
Em nota, o Centro Cultural Beneficente Islâmico de Foz do Iguaçu se manifestou e lamentou os fatos.
A Liberdade religiosa é o direito fundamental de ter ou não ter crença, de escolher, praticar e expressar sua fé (ou sua ausência dela) sem interferência, discriminação ou coerção, sendo assegurada pela Constituição Federal brasileira e por tratados internacionais, protegendo a liberdade de consciência, culto e expressão e combatendo atos de intolerância pela legislação. O islam prega a paz, o respeito à diversidade religiosa e somos contra qualquer tipo de agressão ou discriminação.
Em carta, mãe do suspeito afirma que filho tem autismo
Em uma carta em que a Banda B teve acesso, a mãe do suspeito lamentou a atitude do filho e destacou que “ele é um rapaz autista com comorbidades e também tem depressão profunda”. Segundo ela, o homem já havia frequentado mesquitas no passado.
Primeiramente, quero me desculpar pelo ocorrido ontem, em meu nome e do meu Filho. Estamos em tempos que acaba sendo mais fácil escolher um inimigo público, do que tentar entender o outro lado. O A tem 34 anos é um rapaz autista com comorbidades e também tem depressão profunda, o A se converteu ao Islã com 21 anos e quando se mudou para Foz tentou frequentar a mesquita, mas as coisas não deram certo lá, devido a forma com que tratavam ele no ambiente da mesquita, até que um dia ele acabou extrapolando com uma pessoa na mesquita, desde aí não pode mais frequentar a mesquita.
Ele tentou frequentar a igreja católica onde frequento, mas o que ele realmente queria era poder frequentar a mesquita. Tentou retornar algumas vezes, mas sempre que ele ia lá, era expulso ou chamavam a polícia pra ele, isso tudo foi deixando o A cada vez mais ansioso e deprimido. Ontem aguardando na delegacia pude ver claramente a diferença no tratamento, quando vi um policial dizendo que ia falar para o delegado para pedir uma prisão preventiva e passando o telefone para os árabes e dizendo que qualquer coisa era pra chamar ele, fiquei pensando a policia não era pra ser imparcial? Enfim toda história tem dois lados, ninguém é totalmente bom ou totalmente ruim.