O caso do idoso, de 76 anos, resgatado após ser mantido em cárcere privado pelo filho mais novo e pela nora durante cerca de quatro meses, em Campo Magro, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), teve novos desdobramentos com os depoimentos do casal suspeito. À polícia, ambos apresentaram versões diferentes sobre os fatos.

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Idoso ficou em cárcere privado durante quatro meses. Foto: Reprodução/ Ric RECORD

O resgate ocorreu no último dia 5 de janeiro. O idoso relatou que, durante o período em que esteve sob o controle do casal, chegou a ficar sem alimentação adequada. Ele era proibido de sair do quarto, não tinha acesso a televisão ou rádio e vivia sob constantes ameaças.

Em depoimento à Polícia Civil, ao qual a Ric Record teve acesso, o filho da vítima negou a prática de cárcere privado. Ele afirmou que os moradores permaneciam dentro de casa por medo de outro irmão, que teria morado com a família e sido preso anteriormente.

“Ele era meio doido da cabeça e não gostava nem de mim nem do pai, o medo nosso era que ele fizesse alguma coisa lá”

alegou o filho mais novo ao delegado.

A denúncia que levou ao resgate partiu de um vizinho, que desconfiou da situação e acionou a prefeitura. O órgão repassou a informação às autoridades. Quando a Guarda Municipal chegou ao local, o filho e a nora teriam tentado despistar a equipe, afirmando que o idoso havia viajado.

Já a nora do idoso apresentou outra versão em interrogatório. Ela também negou o cárcere, mas não mencionou o suposto medo do familiar. Segundo a mulher, ela não atendeu a polícia inicialmente por receio de uma abordagem falsa.

“Há um tempo passou um homem lá dizendo que era da polícia e esmurrou a porta. Ele [idoso] não estava preso, dá para ver que as coisas dele estavam arrumadas. Ele se alimenta bem, toma os remédios do médico, tudo o que ele precisa. O único erro foi não termos atendido, por medo de outras coisas que estavam acontecendo”

afirmou a nora da vítima.

Questionada sobre o fato de o marido estar no quarto com a mão sobre a boca do próprio pai no momento da chegada da polícia, a mulher alegou que o idoso apenas conversava. “Ele não tampou a boca dele. Ele sai, tem a chave da casa e tem livre arbítrio para ir e vir”, disse.

Desvio de aposentadoria

A Polícia Civil também investiga um possível desvio da aposentadoria do idoso, que teria ficado cerca de nove meses sem receber o benefício. Questionado sobre o assunto, o filho afirmou que o pagamento teria sido suspenso. Mesmo sendo procurador legal do pai, ele negou ter feito qualquer solicitação junto ao INSS.

O casal foi autuado em flagrante pelo crime de cárcere privado e permanece à disposição da Justiça. As investigações continuam.