A filha de 23 anos que matou o pai a facadas na quarta-feira (20) passada, na casa da família,no bairro Cajuru, em Curitiba, alegou que ele se tornava violento quando ingeria bebida alcoólica. Yasmin Cavalcante Correia se apresentou na Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) uma semana depois do crime. Ela foi ouvida e defende a versão de legítima defesa.

Depois do crime, as principal evidências na linha de investigação da polícia eram os depoimentos de testemunhas que disseram ter visto a garota saindo de casa, completamente ensanguentada. Ela teria ido a uma de uma amiga, que também foi interrogada, e confirmou a versão dos vizinhos. Depois disso, Yasmin sumiu. Sem rastros da garota, a DHPP aguardou que ela se apresentasse à polícia, que já estava com o pedido de prisão temporária expedido.

O delegado responsável pelas investigações, Tito Lívio Barichello, não acredita na versão de legítima defesa apresentava pela suspeita. “Estivemos no local dos fatos e a situação é gravíssima porque as lesões ocorridas na vítima demonstram que ela não ofereceu resistência. Sem nenhuma lesão nas mãos, marcas, apesar de a vítima ter sido ferida com uma faca. Pasmem, as lesões encontraram na vítima são do mesmo tamanho da lâmina. A vítima estava inerte, talvez dormindo, talvez alcoolizada, já que todos sabiam que esse homem era alcoólatra, desempregado”, disse o delegado.

Para Tito, a motivação do crime é fútil e se originou após uma discussão entre os dois. “A Yasmin confirmou que matou o pai, ela reconheceu a faca como instrumento, mas alega que sofreu tentativa de feminicídio. Mas é uma alegação pífia em descompasso com as provas. Diz ela que o pai estava batendo com uma tábua em sua cabeça, mas por meio do interrogatório áudio-visual não foi constatada nenhuma lesão. Ela alega que o quarto dela foi arrombado, mas nada disso foi encontrado na casa”, descreveu Tito.

A suspeita fez exames de corpo delito no Instituto Médico Legal (IML), que serão anexados ao inquérito assim que concluídos. “Pode ter havido uma briga, mas não houve briga que pudesse causá-la lesões. Ela não demonstrou arrependimento, alega que sofria violência há muito tempo”, finalizou o delegado.

Versão

Para a polícia, em depoimento, Yasmin disse que estava dormindo quando o pai chegou em casa pela manhã. Eles tinham um bom relacionamento, mas quando o pai bebia, se transformava, segundo ela. O pai teria arrombado a porta do quarto e teria iniciado agressões contra ela, que revidou.

Ela pode responder por homicídio duplamente qualificado por motivo fútil, por não permitir defesa da vítima. A pena para esse tipo de condenação é de 12 a 30 anos de reclusão.