Julia Antunes Reppold Marinho, filha do comerciante Antonio Carlos Antunes, de 51 anos, que morreu após ser baleado em um bar em Curitiba, se manifestou nesta quarta-feira (31) sobre a denúncia técnica do Ministério Público do Paraná que acusa o policial civil autor dos disparos por homicídio duplamente qualificado, contrariando o inquérito da Polícia Civil. Veja abaixo o vídeo na íntegra. 

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Filha mostrou a blusa que o pai usava na hora que foi baleado. Foto: Colaboração/Banda B.

“Venho para agradecer e enaltecer o trabalho do Ministério Público do Paraná. O que aconteceu com meu pai é inaceitável, a gente saiu para comemorar a vida e voltamos com meu pai morto por um covarde, uma pessoa que teoricamente deveria estar ali para servir a sociedade e nos proteger”. 

Júlia também ressaltou que, hoje, a virada do ano será marcada por uma triste lembrança. 

“Enquanto a maioria das pessoas estará celebrando o ano novo, nós vamos estar passando por um momento bem difícil, porque marca três meses do falecimento do meu pai, mas acredito que a Justiça será feita e ela já começou a ser feita nesta denúncia do Ministério Público do Paraná”. 

Veja o vídeo na íntegra:

A Banda B procurou a defesa do policial civil envolvido no caso, mas ainda não obteve retorno.

Denúncia do MP

O Ministério Público do Paraná (MPPR) denunciou por homicídio duplamente qualificado o policial civil que atirou e matou o comerciante Antonio Carlos Antunes, de 51 anos, no BarBaran, tradicional bar de Curitiba, no dia 26 de setembro deste ano. Antonio ficou internado e passou por diversas cirurgias, mas faleceu no dia 1 de outubro.

A denúncia foi oferecida nesta terça-feira (30) pela 2ª Promotoria de Justiça de Crimes Dolosos contra a Vida.

De acordo com o MPPR, foram apontadas como qualificadoras do crime o motivo fútil e o emprego de arma de fogo de uso restrito. O denunciado tem 36 anos, estava de folga no momento do crime e efetuou o disparo contra a vítima.

Inquérito da Polícia Civil 

Nesta semana, a Polícia Civil concluiu o inquérito sobre o caso e apontou que o autor do disparo teria agido em legítima defesa.

De acordo com o relatório final, a polícia entendeu que o disparo efetuado pelo policial civil que estava de folga no momento do ocorrido, aconteceu em situação de legítima defesa. Com essa conclusão, a autoridade policial solicitou o arquivamento do caso. O delegado responsável pela investigação foi Ivo Viana, da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

Por meio de nota, o Sindicato dos Delegados de Polícia do Paraná afirmou que o inquérito foi conduzido de forma imparcial. 

“O inquérito policial foi conduzido de forma técnica, responsável e imparcial, com base nos elementos informativos colhidos ao longo da investigação, observando rigorosamente a legislação vigente e os princípios que regem a atividade de polícia judiciária. As conclusões lançadas no relatório final decorrem da análise objetiva das provas produzidas, sem qualquer tipo de favorecimento pessoal ou institucional.

A denúncia oferecida pelo Ministério Público foi apresentada a partir desses elementos constantes do inquérito policial, no exercício regular de sua atribuição constitucional. Ao destacar a necessidade de avaliação da eventual legítima defesa no curso da instrução processual, o Ministério Público atuou dentro de sua prerrogativa institucional, submetendo a controvérsia ao crivo do Poder Judiciário, a quem compete a palavra final sobre o enquadramento jurídico dos fatos”.