A reportagem da Banda B teve acesso no final da tarde desta sexta-feira (2), a uma série de conversas de WhatsApp trocadas entre Eliana Corrêa, mãe do jogador Daniel Corrêa de Freitas, e Allana Brittes, filha de Edison Brittes Jr, que assumiu ter matado o jogador.

Os prints das conversas mostram que a jovem, que está presa por suspeita de envolvimento na morte junto com os pais, disse para Eliana que não sabia onde Daniel foi depois da festa na casa dela.  Em nenhum momento Allana conta o que de fato ela admitiu à polícia ter presenciado, ou seja, a briga no quarto da mãe e o espancamento de Daniel. (Assista abaixo ao vídeo em que Allana dá a versão do que aconteceu na casa dela)

Daniel na festa de Allana do ano passado – Reprodução /Redes/ Banda B

As mensagens mostram a mãe do jogador desesperada querendo saber onde estava o filho e Allana dizendo que ela só viu ele mexendo no celular e saindo da casa dela. A jovem ainda se oferece para mostrar todos os hotéis perto da casa dela, para ajudar na busca.

Em determinado momento, a notícia da morte se confirma e a jovem lamenta a morte do jogador. “Meu Deus.. não acredito”, diz ela. A partir daí, a tia de Daniel começa a conversar com Allana, que continua dizendo não saber de nada e lamentando a morte.

A tia faz inúmeras perguntas a ela, que diz apenas que o jogador deu um beijo em uma amiga e mais nada.

Defesa da família Brittes diz que não há surpresas nas supostas conversas

O advogado da família Brittes, Claudio Dalledone Júnior, afirmou que não recebe com surpresa a suposta conversa entre Alana, filha de Edson Brittes Júnior, que assume a autoria morte do jogador Daniel Correia Freitas, e a mãe do jogador, onde a jovem tenta ocultar fatos relativos ao paradeiro de Daniel. “Edson Júnior assume ter matado e ocultado o cadáver de Daniel Freitas. Logo, uma suposta conversa como a que vem sendo divulgada é natural, um ato impensado e desesperado de uma filha tentando proteger o pai”, disse o advogado.

Dalledone reforçou ainda que em um caso de tamanha repercussão é natural que a cada novo fato se tenha uma polêmica estabelecida. “As especulações sempre vão existir. No entanto, nós temos um inquérito policial estabelecido, um diligente delegado apurando, um promotor de justiça fiscalizando e o autor, por meio de sua defesa técnica , colaborando com as investigações. Todos esses elementos asseguram que a verdade será estabelecida indiferente às especulações ventiladas pela mídia”, concluiu Dalledone.

O advogado por fim informa que na segunda-feira, dia 5 de novembro a família Brittes irá prestar depoimento à autoridade policial oficializando sua versão dos fatos.

Veja as mensagens obtidas pela Banda B:

 

 

 

Contradições

Segundo os depoimentos colhidos até agora, há contradições na versão de Edison Brittes Júnior. O empresário gravou uma entrevista para a RPC TV na noite anterior à prisão, no escritório do advogado dele, Cláudio Dalledone. Nesta entrevista, ele diz que, ao chegarem em casa, a esposa, Cristiana Brittes, quis ir para o quarto dormir. “Eu escovei o dente dela, coloquei o pijama nela e botei ela para dormir”, disse.

Porém, nas imagens que Daniel enviou a um amigo, momentos antes de morrer, Cristiana aparece dormindo ao lado do jogador com o vestido que ela estava usando na festa da filha, horas antes.

Foto enviada a um amigo por Daniel – Cris Brittes está com vestido e colar usados na festa da filha

Além desta contradição, uma testemunha-chave do caso conversou com a imprensa no escritório do advogado dele em São Paulo. O rapaz, que teve o nome preservado, diz que a porta do quarto estava trancada com todos os envolvidos no momento das agressões contra a vítima, enquanto Edison afirmou que precisou arrombá-la. Na ocasião, eles estavam na casa do suspeito para dar continuidade à festa de aniversário da filha dele, Allana, que começou em uma balada em Curitiba.

Outro ponto divergente é em relação a faca usada no crime. A testemunha fala que Edison pegou a faca na cozinha. O empresário garante que a faca estava no carro. O ponto é importante para esclarecer se ele saiu da casa com intenção de matar Daniel ou não.

A testemunha

“Nós ficamos lá, bebendo e comemorando mais, fazendo um ‘after’ da festa. Passou um tempo e o jogador sumiu do lugar e eu não sei, por qual motivo, o pai dela [Allana] e outro menino entraram lá onde ele estava. A partir daí não acompanhei mais os fatos. Uns 10, 15 minutos depois, ouvi muita gritaria de alguém pedindo socorro, para que não acontecesse uma tragédia”, relatou a testemunha.

O rapaz foi então até o quarto, de onde vinham os gritos.”Eu tive que ir pelo lado de fora, porque a porta estava trancada. Eu saí e fui pela janela, foi aí que avistei o que estava acontecendo. O jogador estava sendo enforcado, apanhando muito, muito, muito. De repente entraram mais dois para ajudar a bater nele. Depois veio mais um e, juntos, eles arrancaram o Daniel do quarto, bem machucado e debilitado. Jogaram o jovem para fora da garagem e continuaram espancando ele, falaram muitas coisas pesadas”, completou.

A testemunha relatou que, em seguida, os agressores tiraram a cueca de Daniel, que ficou apenas de camiseta. “A partir daí, eu não vi mais nada. Entrei na residência desesperado, querendo ir embora e uma amiga estava chorando muito. No momento que eu tentei separar a briga, um rapaz me xingou e disse que, como eu não tinha ajudado, eu seria o próximo. Quando deixei a casa, uma amiga que estava do lado de fora viu o cara [o empresário] com uma faca. A gente só conseguiu ir embora de lá depois que eles pegaram o carro e saíram”.

Edison, Allana e Cris no dia da festa, antes do crime – reprodução

Versão do suspeito

À polícia, Edison Brittes dá conta de que, durante a festa que acontecia na casa dele, a esposa, Cristina, começou a gritar por socorro e ele saiu correndo, em direção ao quarto onde ela estava. Ele teria arrombado a porta e visto Daniel sobre ela, de cueca, tentando manter relações sexuais.

O delegado Amadeu Trevisan esclareceu, no entanto, que até o momento, não é possível confirmar essa informação. “Nós nem sabemos ainda se houve, de fato, relação sexual entre os dois. O que temos é uma foto que o jogador mandou para um amigo pelo WhatsApp ao lado de Cristina, enquanto ela dormia. Isso indica que a vítima foi imatura em ter tomado esse tipo de atitude. Mesmo assim, ainda ressaltamos que a reação do Edison foi desproporcional. Não havia necessidade de tamanha crueldade. Daniel foi torturado, teve o pescoço cortado e o órgão genital arrancado”, completou.

Família presa

Edison, Cristiana e a filha Allana, de 18 anos, estão presos preventivamente por até 30 dias, nesta fase das investigações. A polícia disse que já sabe quem são as outras três pessoas que teriam saído de carro com Edison e Daniel. Os nomes não foram revelados. O empresário diz que cometeu o crime sozinho.

Nesta quinta-feira, o advogado da família Brittes divulgou um vídeo em que Allana conta que escutou os gritos de socorro quando estava dormindo. Ela garante que Daniel estava sobre a mãe dela na cama, quando desceu.

“Ele estava em cima da minha mãe ela gritava. Todo mundo começou a querer fazer alguma coisa contra ele porque minha mãe gritava e ele não fava nada”, disse. Ela negou ter tido um relacionamento com ele e garante que não o chamou pra casa dela.

Assista ao vídeo de Allana gravado e editado pela defesa da família Brittes:

O crime

Segundo as investigações, o jogador foi morto na manhã do último sábado (27). Na noite anterior, Daniel participou da festa de aniversário de Allana na casa noturna. O delegado contou que o jogador já era conhecido da jovem, já que participou da festa de 17 anos dela.

O corpo da vítima foi encontrado em uma plantação de pinos na Colônia Mergulhão, em São José dos Pinhais. Ele estava completamente nu, com ferimentos profundos no pescoço causados por faca e sem o pênis, que foi decepado. O órgão foi localizado no galho de uma árvore.