Corpo de Daniel foi encontrado em uma plantação de pinos em São José dos Pinhais. (Foto: Flávia Barros – Banda B)

 

Outros dois convidados da festa que resultou na morte do jogador de futebol Daniel Côrrea Freitas, de 24 anos, aguardam serem chamados para prestar depoimento à Polícia Civil. A defesa de David Willian Villero Silva, 18, e Igor King, 20, nega que eles tenham participado do assassinato e afirma que os dois não desceram do carro que levou a vítima até a plantação de pinos, onde foi desovada, em São José dos Pinhais. David é ‘ficante’ de Allana Brittes, filha do casal envolvido no crime, Edison Brittes e Cristiana Brittes.

O advogado Allan Smaniotto, que representa os jovens, declarou que todos os detalhes da versão deles serão divulgados apenas depois dos esclarecimentos à polícia. “O nosso intuito agora é mostrar a boa fé dos dois em colaborar com as investigações. O que sabemos é que nenhum deles imaginava o desfecho da situação que presenciaram, quando pegaram a mulher do Edison quase sendo estuprada, esse não era o resultado que eles queriam”, disse ele em entrevista à Banda B.

Daniel era jogador de futebol e atuou em times como São Paulo, Botafogo e Coritiba. (Foto: Reprodução/Facebook)

A versão dos dois corrobora com a de Edison, que confessou ter matado Daniel depois de vê-lo em cima da esposa, Cristiana, tentando violentá-la. Apesar de não entrar em detalhes sobre o que aconteceu na ocasião, Smaniotto afirmou que em momento algum David e Igor participaram das agressões contra Daniel dentro do quarto.

Depois de ser espancado, o jogador foi colocado dentro do porta-malas do carro de Edison e levado até uma plantação de pinos, onde foi mutilado e morto com golpes de faca. Segundo o advogado, David e Igor foram com o empresário até o local, mas não saíram do veículo.

“Eles não desceram do carro quando Edison chegou na plantação de pinos. Eles estavam chocados e ficaram paralisados no automóvel. Eram apenas dois meninos que não conseguiriam impedir alguém que estava com tanta raiva”, falou o advogado.

Smaniotto ainda criticou a divulgação de informações que ele considera mentirosas sobre os seus clientes.”O mais importante que temos que ressaltar é que estão falando por aí detalhes exatos sobre como Daniel foi morto, sobre quem segurou a perna, quem segurou o pé, e isso não existe em lugar nenhum no processo. Isso não foi nem trazido para a delegacia. Esse tipo de divulgação para nós é gravosa e pode trazer uma visão distorcida para a população”.

“Trauma”

De acordo com Smaniotto, os dois rapazes estão traumatizados com tudo o que aconteceu. “Um deles é garçom desde os 14 anos e o outro trabalha há dois meses com carteira registrada. Eles estão iniciando a fase adulta e esse crime vai gerar efeitos para o resto da vida, não temos dúvidas. Eles estão bastante abalados”.

As duas testemunhas mudaram de casa para evitar a atenção de vizinhos e da mídia, mas permanecem em São José dos Pinhais, aguardando o delegado responsável marcar o depoimento. Hoje, outras quatro pessoas foram ouvidas na delegacia sobre o caso.