Um capitão do 1º Batalhão da Polícia Militar (1º BPM), em Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná, foi preso em flagrante na madrugada de segunda-feira (22), acusado de violência doméstica contra a própria esposa, que também é policial militar. O caso ocorreu durante uma confraternização organizada pelo oficial para comemorar a própria promoção e mobilizou até o Batalhão de Polícia de Choque (BPCHOQUE), acionada diante da gravidade da situação.

O portal aRede, parceiro da Banda B, teve acesso ao boletim de ocorrência. Segundo o relato, durante o evento o capitão derrubou a esposa no chão e desferiu murros contra o nariz dela. O agressor estava armado no momento da confusão.
A vítima contou que era contrária à realização da confraternização, por receio do ‘comportamento do marido sob efeito de bebidas alcoólicas’. Ao perceber a mudança de atitude do capitão, ela deixou a festa e seguiu para a residência do casal.
Ainda segundo o relato da policial, já em casa ela recebeu uma mensagem, por meio de uma rede social, informando que o marido estaria ‘flertando’ com outra mulher durante a confraternização. Diante disso, ela retornou ao local do evento e deu um tapa no rosto do companheiro. O capitão, então, reagiu com agressões físicas.
Versão do suspeito
A versão apresentada pelo oficial é diferente. Ele afirmou que organizou a confraternização por considerar o ‘momento ‘importante em sua carreira’ e que a esposa se posicionou contrariamente, permanecendo alheia ao evento.
Segundo ele, foi agredido pela mulher e apenas tentou se defender. O capitão relatou ainda que, após a briga no local da festa, o casal voltou para casa, onde teria sido novamente agredido pela esposa, que estaria armada. Durante a discussão, houve um disparo de arma de fogo, que atingiu a parede da garagem. Ele afirmou que a mulher já estaria separando pertences para deixar a residência quando a equipe policial chegou.
A policial agredida foi encaminhada a um hospital da cidade, onde foi constatada um trincamento no nariz, sem necessidade de cirurgia. O capitão recusou atendimento médico, foi conduzido à delegacia para qualificação e indiciamento, e teve um revólver apreendido na residência.
O que diz a Polícia Militar do Paraná
A Polícia Militar do Paraná se manifestou oficialmente sobre o caso na tarde desta terça-feira (23). Em nota enviada ao portal aRede, o 1º BPM confirmou a prisão do capitão e informou que medidas administrativas e criminais já foram instauradas, além da apreensão de armas e da solicitação de medida protetiva em favor da vítima. Leia na íntegra:
“Na noite de domingo (21), a Polícia Militar do Paraná atendeu a uma ocorrência de violência doméstica no município de Ponta Grossa, envolvendo um casal de policiais militares lotados no 1º Batalhão de Polícia Militar.
Conforme relato colhido no local, após um desentendimento entre as partes, houve agressões recíprocas. Diante dos fatos, as partes envolvidas foram conduzidas à Delegacia de Polícia Civil para os procedimentos legais cabíveis, bem como foram apreendidas as armas de fogo localizadas no interior da residência.
A Polícia Militar do Paraná adotou todas as medidas administrativas pertinentes ao caso, dentre elas o encaminhamento do casal para acompanhamento psicológico, a solicitação de medida protetiva em favor da parte feminina, bem como a instauração de procedimentos para apuração dos fatos nas esferas criminal e administrativa.
A Polícia Militar do Paraná reafirma seu compromisso com a legalidade, a transparência e o combate a qualquer forma de violência”.