A família do jovem pintor Paulo Henrique dos Santos Bernardino, 22 anos, morto em um suposto confronto com policiais do Batalhão de Operações Policiais (Bope) está revoltada com a versão apresentada no inquérito da Polícia Civil. Segundo os familiares, o jovem estava armado, mas teria colocado as mãos na cabeça ao notar a presença dos policiais dentro da tabacaria. “O Paulo foi executado pelo Bope com tiros pelas costas, ele foi morto pelos policiais dentro do banheiro, foi assassinado”, disse a irmã.

A situação aconteceu na madrugada de sexta-feira (6) no bairro Campo de Santana, em Curitiba. A irmã do jovem morto, Sabrina Lidiane Bernardino, entrou em contato com a Banda B e confirmou que o rapaz estava armado. “Meu irmão estava sendo ameaçado por um bandido aqui na região, nós não sabemos quem é e hoje já não fazemos mais questão. Meu irmão emprestou o revólver para se defender, ele é trabalhador, honesto, nunca teve passagem pela polícia. Não é assaltante como está sendo taxado”, defendeu.

Segundo ela, o irmão acionou um motorista de aplicativo para sair ‘de um pagode e ir para uma tabacaria’, conforme disse à Banda B. “No trajeto, eles entraram em cinco dentro do carro e o motorista notou que meu irmão estava armado e ficou pedindo pra ele atirar nas placas, ficou instigando meu irmão. Quando chegaram na tabacaria, eles se juntaram com mais amigos e meu irmão perguntou quanto era para fazer uma corrida por fora, e o cara aceitou, mas ele já tinha apertado o botão do pânico”, descreveu Sabrina.

Nesse momento, segundo a irmã, os rapazes ainda convidaram o motorista de aplicativo para entrar e pagaram a corrida. “Dois ficaram lá fora e três entraram e foram ao banheiro. Nisso, como o motorista do aplicativo já tinha chamado a polícia, eles chegaram e entraram. Os policiais perguntaram se eles estavam armados, meu irmão disse que sim e colocou as mãos na cabeça, isso nós temos testemunhas. O policial da porta deu dois tiros nas costas do meu irmão, não satisfeito veio mais um e deu mais três tiros de pistola 9 milímetros”, denunciou a irmã do homem morto.

“Não houve confronto, revide, nada disso. Ele estava errado por estar armado, sim. Mas, ele tinha o direito de defesa. Ele tinha que responder por porte ilegal de arma, não ser executado do jeito que foi”, criticou Sabrina.

A família alega que todos os disparos de arma de fogo atingiram as costas do homem e aguarda laudo do Instituto Médico Legal (IML) de Curitiba para confirmação. “O Estado está treinando o Bope para matar pessoas, não para nos defender”, lamenta a irmã de Paulo Henrique.

Além de Paulo Henrique, outro irmão também envolvido na situação está preso na Penitenciária de Piraquara.

Resposta

NOTA DO BOPE SOBRE OCORRÊNCIA NO CAMPO DE SANTANA – 10.11.2020

Segundo o Boletim de Ocorrência registrado pela equipe do Batalhão de Operações Especiais (BOPE), uma denúncia feita à PM pelo 190 na madrugada de sexta-feira (06/11) a qual apontava que um motorista de aplicativo tinha sido alvo de um roubo e estava como refém dos suspeitos no Campo de Santana. O solicitante repassou o endereço onde a vítima estava com o grupo e que tinham entrado numa tabacaria.

Uma viatura do BOPE chegou ao local e abordou as pessoas que estavam no estabelecimento. No último cômodo, um banheiro, conforme o documento, os policiais militares foram recebidos a tiros por um homem. A equipe revidou e o suspeito foi ferido, entrando em óbito no local. Com ele havia um revólver de calibre .38, com quatro munições deflagradas.

Na ocorrência, outros dois homens, que tinham envolvimento no roubo e estavam na tabacaria, foram presos. Segundo o Boletim de Ocorrência, a vítima do roubo reconheceu o homem em óbito como autor do crime. Durante os procedimentos no local, consta no Boletim o relato do motorista de aplicativo roubado pelo trio, o qual sofreu ameaças e o suspeito armado fez disparos para intimidá-lo. A arma e os envolvidos na ocorrência foram entregues na Central de Flagrantes da Polícia Civil para as demais medidas cabíveis. A PM adotou os procedimentos de praxe.