Família de Raíssa contesta versão de humorista: ‘Dissimula arrependimento, segue uma linha estratégica’

Para a defesa que representa a família de Raíssa, o humorista pode estar tentando amenizar ou esconder detalhes fundamentais

Lucas Sarzi e Djalma Malaquias

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Foto: Reprodução RICtv/Redes Sociais.

A família de Raíssa Suellen Ferreira da Silva, de 23 anos, morta em Curitiba, contesta a versão apresentada por Marcelo Alves dos Santos, de 41, humorista que confessou o assassinato nesta terça-feira (10). A defesa da família, representada pelo advogado Leonardo Mestre, afirma que ainda há muitas dúvidas sobre a dinâmica do crime e cobra da Polícia Civil o aprofundamento das investigações.

Foto: Reprodução/Redes Sociais.

Para o advogado, a confissão apresentada por Marcelo não pode ser tida, neste momento, como verdade absoluta.

“Nesse momento o que nós temos é uma confissão e um corpo que foi localizado. Essa confissão não pode ser tida plenamente como verdadeira. Nós precisamos apurar as circunstâncias. Durante essa madrugada eu acompanhei a família em todos os trâmites junto do ML e tudo indica que a versão que o acusado falou sobre a dinâmica dos fatos, a dinâmica como ocorreu a morte, não corresponde necessariamente à verdade”

afirmou o advogado Leonardo Mestre.

Leonardo destaca que o acusado, apesar de assumir a autoria do crime e a participação do filho, pode estar tentando amenizar ou esconder detalhes fundamentais.

“Em que pese ele ter confessado a autoria do crime e a participação do filho, não podemos dizer que a dinâmica, como aconteceu, da forma como aconteceu, foi exatamente como ele falou. Por isso, nesse momento, é fundamental que a Polícia Civil continue as investigações para que a gente possa esclarecer todas as circunstâncias. E além disso, quem participou?”

questiona.
Foto: Reprodução/RICtv.

Protegendo o filho

A conduta do filho de Marcelo, que segundo o próprio pai participou da ocultação do cadáver, também levanta suspeitas.

“O suspeito, a todo momento, tenta afastar a responsabilidade do filho. No entanto, o filho durante sete dias permaneceu em contato com a família, fornecendo pistas falsas, tentando despistar as famílias sobre a realidade do que tinha acontecido e onde estava a Raíssa. Evidentemente, existe uma participação dele no crime e nós precisamos esclarecer até qual ponto ele participa. E além disso, se apenas o filho participou.”

Para a defesa da família, Marcelo estaria tentando proteger o filho ao mesmo tempo em que constrói uma narrativa estratégica.

“Evidentemente, ele tenta acobertar o filho. Veja só, quando ele é ouvido, a todo momento ele fala, o meu filho que me incentivou a me entregar. Só que esse mesmo filho participa da ocultação do cadáver, carrega o cadáver no veículo, conduz o veículo e enterra o cadáver. Isso, segundo a versão do próprio pai. Então, o que nós precisamos entender? O que ele fez? Foi exatamente aquilo que o pai falou ou existem mais participações dele nesse crime? E isso nós precisamos esclarecer e depende da polícia”

comenta o advogado.
Corpo de Raíssa estava em cova rasa. Foto: Reprodução/RICtv.

Rigor nas investigações

Para a família de Raíssa, está claro que Marcelo mentiu, inclusive à polícia. O advogado disse acreditar que o caso pode ir além de um homicídio passional, e não descarta hipóteses mais graves.

A demora em revelar o paradeiro do corpo, segundo o advogado, pode ter sido proposital, para dificultar as investigações.

“Como parte da artimanha do criminoso, ele posterga a revelação do corpo por oito dias. Isso faz com que o corpo, a decomposição, avance. E provas, vestígios, se percam. No entanto, ainda assim é possível detectar o que aconteceu nesse corpo. Esses laudos, a estimativa é que levem de 30 a 60 dias para que a gente tenha algum retorno”

avaliou o advogado Leonardo Mestre.

Leonardo também critica a tentativa do acusado de amenizar o crime como um “rompante”.

“Ao mesmo tempo em que ele dissimula um arrependimento, ele segue uma linha estratégica, processual e jurídica muito clara. Ele quer demonstrar, ele quer narrar que tudo aquilo que aconteceu foi um rompante, foi irracional, que ela recusou ele e de uma forma irracional ele reagiu assim, sem ter premeditado, nem ter planejado.”

Foto: Reprodução/Redes Sociais.

Para o advogado, a relação entre os dois e o histórico do acusado indicam o contrário.

“A gente está falando de um indivíduo que há três anos atrás trouxe essa garota para Curitiba. Ele mente para ela falando que tem um emprego em São Paulo e moradia para ela em São Paulo. Seduz, atrai ela para dentro da casa dele. Agora, se dentro da casa ele se declarou e ela rejeitou, nós não temos como saber. Essa é a versão dele. A questão é que dentro dessa casa, junto com ele, ela foi morta de uma forma cruel. E é isso que nós precisamos esclarecer.”

A investigação segue em andamento sob responsabilidade da Polícia Civil do Paraná. A delegada Aline Manzatto, responsável pelo trabalho de investigação, informou que o caso está sendo tratado com prudência e que Marcelo será, sim, culpabilizado de acordo com o que fez.

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