O motorista de 19 anos envolvido no acidente que matou Izabelle Tremarin, de 20 anos, no dia 8 de novembro, no bairro Alto da XV, em Curitiba, compareceu nesta segunda-feira (17) à Delegacia de Delitos de Trânsito (Dedetran) e, durante o interrogatório, permaneceu em silêncio. A família da jovem, que morreu quatro dias após a colisão, cobra Justiça.

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Foto: Reprodução/ Ric RECORD

Izabelle estava no banco traseiro de um Jeep Renegade conduzido por um colega que, segundo familiares, havia ingerido bebida alcoólica antes de assumir a direção. O carro seguia em alta velocidade pela Rua XV de Novembro e fazia zigue-zague pela via, segundo testemunhas.

O veículo atingiu outro automóvel e, em seguida, bateu violentamente contra um poste, que se partiu ao meio. Com o impacto, a jovem foi arremessada para fora do carro e sofreu traumatismo craniano grave. Ela morreu cinco dias depois.

Abalada, a família de Izabelle relatou à Ric RECORD sobre a dor da perda e criticou a postura do motorista.

“Ela, pra ele, foi só um trapo jogado no asfalto. Mas, pra mim, era o meu maior tesouro. Eu não sei como vou viver meus dias sem a minha filha. O que vai ser de mim? O que vai ser da nossa família? Não tenho um pedido de desculpas, nada”

disse a mãe, Soraia Tremarin, em entrevista à Ric RECORD.

Ela afirmou que o rapaz teria demonstrado indiferença logo após o acidente. “Segundo testemunhas, ele olhou pra ela como se não fosse ninguém. Tentou fugir do local como se não fosse com ele“, afirmou Soraia.

O pai da jovem, Claudir Tremarin, também reforçou a gravidade da colisão e disse que foi um ato “muito covarde”.

“Eu não conheço esse rapaz. Além de colocar a vida de todos em risco, ele estava desfilando querendo aparecer com a minha filha. A velocidade era muito alta, imagina cortar um poste no meio”

relatou o pai de Izabelle.

Excesso de velocidade

De acordo com os advogados que acompanham a família, a dinâmica do acidente aponta para excesso de velocidade.

“Com as provas que estamos colhendo, já está caracterizado o excesso de velocidade. A questão da embriaguez também está sendo investigada”

afirmou o advogado Elias Bueno.

O advogado Nilton Ribeiro avalia que o caso pode ir a júri popular. “Há testemunhos sobre a altíssima velocidade e indícios de que ele poderia estar sob efeito de álcool. Este seria o momento para ele prestar esclarecimentos, pedir desculpas à família, mas preferiu o silêncio. É um direito dele, mas a família fica sem respostas”, complementou Ribeiro.

A mãe de Izabelle reforçou que busca justiça não apenas pela filha, mas para evitar novas tragédias.

“Eu não vou ver minha filha ter filhos, não vou ver minha filha casando. Os sonhos que eu tinha para ela acabaram. Tudo acabou naquele sábado. É muito doloroso. Eu quero justiça para que outras meninas e outras mães não passem pela mesma dor”

desabafou Soraia, emocionada.

Defesa explica silêncio no interrogatório

A defesa do motorista se manifestou após o silêncio do investigado durante o interrogatório, afirmando que “havia solicitado o reagendamento da oitiva porque os depoimentos da investigação ainda não estavam anexados ao inquérito e diligências seguem pendentes”.

Segundo os advogados, “o pedido não foi analisado pela autoridade policial, e, por isso, ele optou por não responder naquele momento”. A nota reforça que, ao fim da investigação, quando consideram ser o momento adequado, ele responderá a todas as perguntas.

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