A família de Lucas Reis, um dos sócios da distribuidora de bebidas e pub Joker, acusado de mandar matar o sócio Matheus da Silva Duenhas, de 22 anos, realizou um protesto defendendo a inocência do suspeito, em frente à Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), no início da tarde desta sexta-feira (3). O delegado Thiago Nóbrega acredita que o crime foi planejado para quitar uma dívida relacionada ao tráfico de drogas e que existem diversos indícios do envolvimento de Lucas, que está preso desde terça-feira (30).

Foto: Marcelo Borges/Banda B

A manifestação reuniu cerca de 30 pessoas e contou com diversas faixas pedindo por justiça e buzinaços. A mãe de Lucas, Andreia dos Santos, afirma que a família da vítima também acredita na inocência de seu filho. “Meu filho é inocente e jamais faria isso com o irmão dele, que era assim como eles se consideravam. Nós queremos justiça e a família do Matheus está nos apoiando”, disse ela.

O advogado Igor Ogar, que defende o acusado, afirma que seu cliente não está envolvido com a morte do sócio e que não há indícios  até o momento que comprovem a participação. “Eu afirmo cabalmente que o Lucas não tem nenhuma participação neste homicídio. Havia alguma suspeito de que ele tivesse participado indiretamente do crime por parte do delegado, mas a defesa não vê o mínimo de indícios que comprovem isso”, defendeu o advogado.

Sobre o suspeito ter alterado a cena do crime ao subtrair o celular e relógio de pulso da vítima, Ogar diz que Lucas estavam apenas protegendo os bens do sócio e que existe um áudio no qual o acusado alertaria a vítima sobre a presença suspeita de um motoqueiro. “Ele só protegeu alguns bens que estavam com o Matheus, para fazer a posterior devolução. Isso depois do crime, depois da polícia ter chego no local, então não foi um furto. Há um áudio, inclusive, de quando o Lucas sai e observa um motoqueira e avisa a vítima sobre esse estranho na casa vizinha”, revela.

Delegado

O delegado Thiago Nóbrega, da DHPP, responsável pela investigação do caso, afirma que existem diversas provas do envolvimento de Lucas na morte do sócio. “A gente pode começar pelo local do crime. O Lucas viu o momento em que o motoqueiro chegou e mesmo assim saiu do estabelecimento, deu uma volta, o que possibilitou com que essa pessoa executasse o Matheus. Ele ainda retorna para o local, leva o celular e relógio da vítima, correntes, vira o corpo, ou seja, altera toda a cena do crime”, detalhou o delegado.

Após recolher pertences da vítima, o acusado ainda teria pegou o carro de Matheus, juntamente com um amigo, dirigido até a casa do sócio, onde recolheu diversos pacotes com cocaína. Toda a ação estaria registrada em imagens de câmeras de segurança.

“Temos também áudios em que ele conversa, possivelmente com a namorada, dizendo que estava na casa do Matheus retirando tudo, antes que a polícia chegasse. Logo após a morte, ele ainda tentou desbloquear o Iphone e o Apple Watch da vítima, mas o dono da assistência técnica se recusou pela falta de uma nota fiscal do produto”, continuou Nóbrega.

O delegado afirma ainda que o suspeito, em diversos momentos, dificultou as investigações, apagou várias conversas em seu celular e trocou o chip no celular da vítima.

Sobre a motivação do crime, Nóbrega acredita que tudo tem origem em alguma desavença relacionada ao tráfico de drogas. “A movimentação financeira deles era grande e totalmente incompatível com o que eles realmente ganhavam com o trabalho na distribuidora. O Matheus, assim como provavelmente o Lucas, estavam envolvidos com o tráfico e podem ter acabado arranjado algum desavença relacionada à atividade. Isso pode ter causada a ira de terceiros, que pediram a morte de Matheus como uma forma de quitar uma dívida”, conta o delegado.

O caso segue sendo investigado pela Polícia Civil.

O crime

O crime aconteceu no dia 22 de maio, na Rua Gilberto Kaminski, na Vila Barigui, na Cidade Industrial de Curitiba De acordo com as investigações, a vítima era sócia de uma distribuidora de bebidas com Lucas Reis e o pai deste rapaz.

Na ocasião do crime, a vítima estava fechando o comércio junto com dois funcionários, quando um homem vestindo roupas pretas, se aproximou com uma motocicleta branca e atirou diversas vezes contra Duenhas.

Os dois funcionários conseguiram se esconder e não foram atingidos. Duenhas foi alvejado por cerca de quatro tiros e morreu no local.