A família de Antônio Meireles, de 26 anos, contesta a versão da Polícia Militar (PM) de que o jovem confrontou os policiais antes de ser morto durante o cumprimento de uma ordem judicial, na manhã desta quarta-feira (19), em Fazenda Rio Grande, na Região Metropolitana de Curitiba. A esposa, que está grávida, afirma que viu o marido ser arrastado pela casa e morto dentro do banheiro na frente da filha, de 4 anos.

Amanda Alice dos Santos contou ao repórter da Ric RECORD Tiago Silva que o barulho dos policiais entrando acordou a família por volta das 6h. Segundo ela, Antônio não reagiu. “Já renderam ele, pegaram por aqui [pescoço], jogaram no banheiro e deram o primeiro tiro”, narrou a esposa do jovem.

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Família afirma que Antonio foi arrastado para o banheiro e morto a tiros pelos policiais; corporação diz ter apreendido pistola — Foto: Reprodução/Ric RECORD e TV Fazenda

“Eu me desesperei, abri a janela e comecei a gritar: ‘Socorro, socorro. Estão matando meu marido!’. Nisso, o policial já chegou, tapou minha boca e me jogou em cima da cama. Eu caí em cima da menina. Na hora que eu escutei o outro tiro, minha menina olhou e falou: ‘Mãe, mataram o pai'”, descreveu Amanda.

Mais cedo, a Polícia Militar informou que prestou apoio à Polícia Civil em uma operação que buscava prender Antônio. Segundo a corporação, ele era suspeito de envolvimento em uma tentativa de homicídio e já havia sido preso em outras ocasiões. Além disso, era monitorado por tornozeleira eletrônica.

Durante o cumprimento da ordem judicial, porém, teria apontado uma pistola calibre .380 na direção dos policiais. A família, por outro lado, afirma que ele não tinha arma e não reagiu à abordagem.

“No momento em que os policiais adentraram ao imóvel, o indivíduo já estava em punho de uma pistola calibre .380. Não acatou as ordens policiais e, nesse momento, um dos agentes, usando os meios necessários, repeliu a injusta agressão. O indivíduo foi atingido por disparos de arma de fogo”, afirmou o aspirante a oficial Valério à TV Fazenda.

Em uma transmissão ao vivo feita logo após a ação das corporações, a sogra do jovem contestou a versão apresentada pelos órgãos e relatou que ele não tinha arma. “Pegaram o piá tomando banho pra ir trabalhar. Tiraram a vida dele. […] Falar que é troca de tiros e o piá não tinha nem arma”, protestou.

Uma ambulância do Corpo de Bombeiros chegou a ser acionada para socorrer o jovem, mas ele não resistiu. Segundo Valério, nenhum policial civil ou militar se feriu durante a ação. A esposa disse ter visto o marido sendo arrastado até o banheiro antes de ser morto.

“Eu ia acompanhar a abordagem. Eles mataram ele dentro do banheiro, como se fossem um cachorro. Ele não precisava disso”, disse Juscelaine dos Santos, cunhada do jovem.

O que dizem as polícias Militar e Civil

Em nota, a PM disse que Antônio Meireles “confrontou com os policiais” e precisou ser “neutralizado” no local. Além disso, afirmou que a corporação irá instaurar um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar o caso. Leia a nota na íntegra abaixo:

“A Polícia Militar do Paraná informa que, na manhã desta quarta-feira (19/10), uma equipe de policiais pertencentes ao 17º Batalhão de Polícia Militar (17 BPM), prestou apoio à operação desencadeada pela Delegacia de Fazenda Rio Grande, destinada ao cumprimento de mandado de prisão, busca e apreensão. Durante a ação, o indivíduo alvo da ordem judicial confrontou com os policiais, vindo a ser neutralizado no local.

A PMPR informa que instaurará Inquérito Policial Militar (IPM), que é praxe em toda e qualquer situação de confronto, reafirmando assim seu compromisso com a legalidade, a ética e a transparência na prestação dos serviços à comunidade.”

A Polícia Civil preferiu não se manifestar e orientou a reportagem a procurar a PM apenas. A Banda B questionou ao Ministério Público do Paraná se o órgão acompanha o caso e aguarda retorno.