Três meses após a descoberta de uma ossada a poucos metros da casa onde morava, a Polícia Científica do Paraná confirmou que os restos mortais encontrados em Pontal do Paraná, no litoral do Estado, são da cozinheira Sandra Mara da Silva Camargo, que desapareceu em dezembro de 2024.

O resultado do exame de DNA foi concluído nesta segunda-feira (15) e obtido com exclusividade pela Banda B. A ossada foi achada em 20 de agosto, enterrada a cerca de 50 metros da residência do casal. Desde então, a família aguardava a conclusão do laudo pericial para a confirmação oficial da identidade, o que só aconteceu quase quatro meses depois do achado.

cozinheira-desaparecida-litoral-parana
Desaparecimento da cozinheira foi denunciado à Polícia Civil em 13 de dezembro do ano passado –Foto: Reprodução

De acordo com o documento, houve compatibilidade genética em todas as regiões analisadas entre o DNA extraído dos ossos e o material genético fornecido por Any Karoline Camargo Martins, filha de Sandra. O exame concluiu pela inclusão de maternidade, com índice estatístico superior a 204 mil, valor que confirma de forma inequívoca o vínculo biológico.

Sandra Mara desapareceu em 13 de dezembro de 2024. Para a polícia, ela foi morta pelo namorado, Aleandro Lourenço de Barros, de 33 anos, com quem mantinha um relacionamento havia quatro anos. Ele está preso preventivamente desde fevereiro, após apresentar versões contraditórias e não comunicar o desaparecimento da companheira, embora morasse com ela.

O Ministério Público do Paraná denunciou Aleandro por feminicídio majorado, pelo uso de meio cruel e por recurso que dificultou a defesa, além de ocultação de cadáver. Uma testemunha relatou ter ouvido uma discussão, gritos de socorro e frases atribuídas à vítima indicando que teria sido ferida com uma faca.

sandra-mara
Ossada da cozinheira desaparecida desde dezembro do ano passado foi achada a cerca de 50 metros da casa dela, em Pontal do Paraná – Foto: Reprodução/Ric RECORD

“Eu escutei puxando a gaveta, entendeu? No meu ponto de vista, quando ela puxou a gaveta, acho que ela puxou a faca pra dar de dedo. Daí, ela pegou e deu um grito feio e falou que ele tinha dado uma facada nela: ‘Você me matou cara! Aí a facada que você me deu!’ Ela estava pedindo socorro. Aí ela começou a pedir pra chamar o Samu”, narrou a testemunha, em depoimento.

No local onde a ossada foi encontrada, também foram recolhidos objetos pessoais e roupas que, segundo familiares, pertenciam à cozinheira. Desde o início das investigações, esses elementos já reforçavam a suspeita de que o material fosse de Sandra, mas a confirmação dependia do exame genético.

“Quando falei com ele [Aleandro], disse que estava pescando no meio do mato. Isso me chamou atenção. Minha mãe nunca ficou sem falar comigo ou com os netos. Quando encontramos a ossada, pensamos que viria algum alívio, mas começou outra espera”, relatou a filha de Sandra.

Em nota, o advogado Leonardo Mestre Negri, que defende a família de Sandra Mara, afirmou que o resultado do exame pericial “põe fim à incerteza” e estabelece que a mulher foi vítima de feminicídio. “Desde o dia de seu desaparecimento, a família tem se mantido firme, atuando de forma responsável e ativa nas buscas e no acompanhamento das investigações, sempre com um compromisso inabalável com a verdade”, disse.

Segundo ele, o processo está na fase final da primeira etapa do rito do Tribunal do Júri e aguarda a decisão de pronúncia. “Com a materialidade definitivamente comprovada, a expectativa é de que o réu seja pronunciado e levado a julgamento, para que a morte de Sandra seja apreciada pelo Tribunal do Júri com a seriedade que o caso exige e para que a justiça prevaleça”, concluiu.

Agora, a ossada localizada em Pontal do Paraná fica liberada para ser sepultada pela família.

O que diz a defesa de Aleandro Lourenço de Barros

A Banda B procurou o advogado Aryon Schwinden, que defende Aleandro Lourenço de Barros, para comentar o resultado do exame de DNA. Leia a nota na íntegra:

“A defesa de Aleandro Lourenço de Barros torna público que o processo está em fase de apresentação de Alegações Finais, sendo que, o Ministério Público já apresentou suas alegações finais. Desse modo, a defesa aguarda a apresentação das alegações do assistente de acusação, para, então, expor as teses defensivas.

No presente momento, adianta-se que a identificação do corpo encontrado, em nada interfere, tendo em vista que Aleandro nega a autoria dos fatos, inclusive, sua versão, que será exposta em momento processual oportuno, é corroborada frente às diversas contradições nos depoimentos constantes nos autos, em fase de instrução.

Por fim, importa frisar que o processo está na primeira fase do rito do Tribunal do Júri, sendo assim, após as partes apresentarem suas Alegações Finais, encaminha-se os autos à magistrada para prolação da sentença, a qual indicará se o acusado será submetido ou não à Júri popular.

Diante do estágio processual, a defesa não tem outras declarações a prestar.”