Um ex-policial militar acusado de matar dois irmãos desarmados durante uma abordagem na PR-281, em Salto do Lontra, no sudoeste do Paraná, foi condenado a 35 anos de prisão pelo Tribunal do Júri nesta quarta-feira (10).
O crime aconteceu em julho de 2018. O réu também foi condenado por fraude processual, por ter forjado a cena do crime após os disparos. Ele participou do julgamento por videoconferência e está foragido.
Segundo a denúncia do Ministério Público do Paraná, os dois jovens, de 21 e 26 anos, eram de Santa Catarina, não tinham antecedentes e estavam em processo de mudança para o município de Ampére (PR). As vítimas foram identificadas à época como Orestilhano da Rosa Junior e Adrian Beppler da Rosa.

Eles foram abordados pelo policial, colocados em posição de revista e não ofereceram resistência. Ainda assim, conforme o MP, o então policial se irritou com a postura dos irmãos e atirou contra eles à queima-roupa.
“Eles estavam em processo de mudança pro município de Ampére. Na sequência, o acusado saiu do local e foi ao destacamento policial, onde buscou duas armas de fogo que, em seguida, foram plantadas na cena do crime”, explicou o promotor de Justiça Pedro Ernesto Pezzi.
No julgamento, o Ministério Público sustentou a prática de duplo homicídio, qualificado por motivo fútil e por recurso que dificultou a defesa das vítimas, e a fraude processual – teses acolhidas na íntegra pelos jurados.
Após o julgamento, foi expedido um mandado de prisão, para início imediato do cumprimento da pena. O réu, que participou do julgamento por videoconferência, está foragido.
“Apesar de não trazer os jovens de volta, a sentença traz um alento aos familiares que acompanharam todo o julgamento”, afirmou o promotor Pedro Ernesto Pezzi.
A identidade do ex-PM não foi divulgada. Portanto, a Banda B não conseguiu estabelecer contato com a defesa dele.